quinta-feira, 1 de abril de 2010

Orkut - Essa tal identidade virtual

De nome estranho que lembra mais uma bebida láctea, por volta de 2004 surge o Orkut. Essa coisa ganhou uma popularidade tamanha que se tornou uma nova característica da cultura brasileira. Andei refletindo sobre o propósito disso. E antes de entender o motivo do por quê temos Orkut, devemos pensar na necessidade de ter “essa tal identidade virtual.”
Vamos lá:
Algo representa você. No seu melhor ângulo. E na maioria das vezes com a ajuda do photoshop para destruir qualquer imperfeição.
É algo que nos permite simular o status de uma vida melhor e com mais “brilho” do que normalmente é.
Esse algo, como uma agenda, te avisa de datas importantes.
Te dá notícias sobre as pessoas que você se importa e que você detesta.
Te dá espaço para perguntar pelos outros ou responder resumidamente como você está.
Te permite adorar,mimar ou bajular alguém, mas permite fazer raiva, ciúme ou indiferença também.
Te permite encontrar várias pessoas do seu passado, importantes ou insignificantes.
Ele te deixa ali, aparentemente disponível e ao mesmo tempo totalmente distante.
O Orkut surgiu no momento onde o homem tem cada vez menos tempo para ele mesmo, mas menos tempo ainda para os outros. Ele faz a parte sociável, hipócrita, saudosista e temporariamente empolgada de cada um de nós.
As vantagens parecem tantas, mas se você parar para perceber verá que:

O Orkut é o que sugere a economia para não se gastar 1 real de crédito no celular, já que a facilidade e a rapidez de comunicação é tão grande que um scrap de parabéns é aceitável...
O Orkut é a desculpa de dizer que você está aí, caso eu precise falar com você, mesmo que você não faça a mínima questão de manter o contato comigo.
O Orkut é o que responde a pergunta que nos fazem de como anda alguém, já que é nos "up dates" que nós descobrimos tudo.
O Orkut é o que tira de nós a felicidade de ouvir a voz daquela pessoa querida com mais freqüência.
É de onde nos escondemos dos outros e até fugimos (as vezes pra nunca mais voltar) quando o nosso mundo cai.
É o que nos aconselha a mandar por depoimento tantas palavras legais que precisavam ser ouvidas pessoalmente.
É o que nos acomoda de sentirmos um perfume familiar e um abraço aconchegante.
É por onde vemos quantas pessoas quiseram entrar para espiar a nossa vida, e quão poucas deixaram um “oi” quando passaram...
É onde colocamos os registros dos nossos momentos mais especiais, aqueles que o “tempo” já nem deixa a gente compartilhar de perto, e ainda assim tantas pessoas nem dão tanta importância...
É o que tira de nós a surpresa das grandes notícias, porque é ele quem sabe primeiro.
O Orkut é mais uma parte nossa que também cumpre uma obrigação com a sociedade, e precisamos fazer parte disso para sermos bem aceitos, para não sermos considerados estranhos...
O Orkut não é a forma de simplificar, facilitar nem modernizar o nosso convívio com as pessoas próximas, porque com o comodismo que ele acentua na gente, as pessoas próximas ficam distantes, e as distantes depois do primeiro momento continuam ainda MAIS distantes... O Orkut é, infelizmente, a certeza de como e do quanto estamos cada vez mais individualistas. E ele é só um exemplo de uma dessas redes de distanciamento que nos aprisionam a uma vida onde fazemos a escolha de sermos representados e não nos sentimos culpados pela nossa ausência no mundo.

Twitter? Nunca tive a curiosidade de conhecer. Nunca fiz para ser diferente, mas para não ser demasiadamente igual a todos que se acostumam tão fácil a esse tipo de modismo–moderno-virtual.
Não pretendo boicotar nem liderar uma revolução. Só espero que todos consigam detestar isso (só um pouquinho) para que possam sentir falta e entender a importância do que é essencial na vida.

E enquanto isso eu continuo ligando a cobrar.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Mulheres precisam

Todos os dias mulheres precisam de um bom banho.
Uma dose macia e fina de qualquer hidratante.
Um momento para se olhar ao espelho.

Todos os dias mulheres precisam de um sapato novo.
Ou da certeza de que o melhor do dia vai chegar logo.
Dois minutos para passar um blush.

Todos os dias mulheres precisam de um amor novo.
O antigo amor sempre se fazendo renovado.
Palavras meigas ao pé do ouvido.
Três minutos de silêncio, agarrados.

Todos os dias mulheres precisam de um abraço.
A segurança de braços fortes, apertados.
Um beijo longo de olhos fechados.

Todos os dias mulheres precisam de palavras doces.
Alguns minutos de atenção incondicional.
Um pedaço do céu, um chocolate.

Todos os dias mulheres precisam da mais sincera
compreensão. Da maior necessidade de estar junto.
De não esquecer do outro um só segundo.

Todos os dias mulheres precisam.
Tem dias que recebem, tem dias que não.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Eu te amo como nunca amei ninguém

Essa era a frase preferida de Matilde, que Jorge Manuel insistia em proferir para a mocinha da novela. Matilde descobria, aos poucos, que a sua vida não era um roteiro perfeito, com tramas profundas, de Manoel Carlos. Matilde descobria que seu horário nobre tinha encolhido e que suas falas não faziam mais sentido. Matilde descobria que o script não vinha com um final feliz, que a sinopse era raza, que a narrativa se perdia com o que acontecia todos os dias. E não tinha pena ou caneta que mudasse isso. Não tinha borracha que apagasse a crase mal colocada. Matilde descobria que perdia as rédeas do que vivia e que o seu romance de novela não passava de ficção. Matilde descobria que estava tão sozinha e que o seu filme não se desenrolava em compasso com o que ela dirigia. Matilde descobria que afinal o grande amor também fazia chorar e que não era para sempre, como nos contos de fada. Matilde descobria que tinha o coração cheio de um imenso espaço vazio e que o Jorge Manuel da sua trama não pretendia preencher. Matilde descobria que não fazia parte tão importante do roteiro que o seu Jorge Manuel escrevia, por que ele escrevia sempre na primeira pessoa e, de conjugações verbais, Matilde entendia. Matilde descobria ainda que tinham arrancado os últimos capítulos da sua história e lhe tirado o direito de saber da própria sorte. Matilde descobria como era infantil pedir para ficar para sempre com ele, quando o relógio marcava horas e minutos iguais ou quando ela amarrava pulseirinhas da sorte no seu punho. Matilde deveria pedir apenas para ser feliz. Matilde descobria que as lágrimas não acabavam mesmo que já se tivesse chorado demais, e que, no roteiro dele, essas gotas nunca manchariam o seu nankin por que Matilde descobria que ele escrevia seu filme a lápis, o passado ele apagava, o futuro não era claro. O dela era cuidadosamente escrito num velho moleskine, com pena e tinta preta e aquelas lindas letras capitais iniciando cada grande momento. Como se o dela fosse uma preciosa carta de Shakespear e o dele a efemeridade de um email. Matilde descobria que não sabia mais como resgatar a paixão perdida, que não sabia como dar um novo rumo aos personagens da sua novela e que diálogos eles iriam ter. A única coisa que Matilde sabia é que aquela frase que Jorge Manuel dizia para a mocinha da novela, era tudo o que ela queria ter ouvido para acabar com toda a sua dor, mas que no seu roteiro ele nunca iria dizer.


Final do Ato I. Fecha a cortina.



Auf wiedersehen

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Essa semana...

Aprendi, por exemplo, que é tão valioso ter aquela amiga que acha sempre que nós somos o máximo, melhores, merecemos tudo, somos lindas e incríveis e que não importa há quanto tempo não estamos juntas, o tempo que passamos sempre é especial.

Aprendi que muitos fantasmas do passado podem nos assombrar durante o sono e que nem sempre a gente escolhe se o sono permanece intacto se assim nós desejarmos.

Aprendi que trocar o certo pelo duvidoso é correr o risco da adrenalina ser intensa por apenas um instante e que o certo e o seguro é a certeza de pequenas doses de euforia todos os dias.

E falando em intensidade, aprendi que até os mais distantes são intensos e que amam talvez na mesma proporção que amaria um poeta inebriado, mas guardam a emoção como um tesouro que aproveitam sozinhos, deixando para o mundo o charme e o mistério da dúvida e da insegurança.

Aprendi que, talvez o resto do mundo, não tenha o que eu tenho de intenso e profundo, mas que ainda assim eu sempre me vou dar a conhecer.

Aprendi que mesmo que eu escolha as armas, não estou blindada a nada, pois é tão fina e fraca a minha carapaça e que ainda assim, poucos conseguem perceber.

Aprendi que o amor é um ser vivo que precisa ser alimentado para não morrer.

Aprendi que não importa o tipo de romance, a palavra ainda é importante e que a minha língua é o português.

Aprendi, por fim, que tudo acaba num buraco escuro e que só nos resta viver.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Quem decide?


Quem decide o dia em que a película rosa que cobre o nosso filme vai ser tirada, ou que a última e mais doce jujuba vai ser comida e o pacote vai ficar vazio? Quem decide o dia em que o sol vai amanhecer menos quente e amarelo, ou que o beijo vai ser menos doce e demorado? Quem decide o dia em que o abraço apertado passa a ser mais frouxo, ou que dormir agarrado não tem mais tanta razão de ser? Quem decide quando a magia acaba, ou quando a paixão vira somente um bem querer? Quem decide? Quem decide que a companhia vai ser menos necessária que a ausência, ou que estar ou não estar ali não faz a menor diferença? Quem decide que de repente o chão fica mais duro de pisar, ou que duro mesmo é simplesmente continuar? Quem decide a hora de tirar a emoção, ou se acostumar com a solidão? Quem decide? Eu não.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Começou em mim





É mais ou menos assim com todo mundo e com qualquer relação depois de algum tempo. Primeiro aparecemos com as pernas por depilar, ou ainda não tomamos banho desde que acordamos. Depois deixamos de lado a vaidade na hora de se vestir para sair e em seguida suspendemos as saídas e nos dedicamos a cultivar a barriga comendo porcarias e a cultivar a cabeça assistindo todos os filmes feitos desde que os irmãos Lumiére inventaram o cinema. Aos poucos deixamos de dormir abraçados e em vez de dividir a cama, dividimos apenas o quarto. E assim continuam todas as outras coisas. Não dizemos mais que amamos por que já conquistamos, não beijamos com a mesma frequência por que já conhecemos o gosto. Pulamos os carinhos e vamos diretos pro sono. E depois deixamos os planos, deixamos de lado aquela vontade incrível de estar perto o tempo todo, deixamos de alimentar aquilo que mata a fome de qualquer romance. Escapamos de qualquer programação menos interessante e até das mais envolventes e vamos nos afastando. E assim um ano se transforma em 20 e ninguém mais sabe onde errou e onde o erro começou. E por fim, depois de ver que somos os dois tão estranhos, com os botões pensamos: o erro começou em mim.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Uma segunda-feira

Lunes. Para ela significava, a princípio, duas coisas: uma palavra que sempre lhe remetia a lua, espaço, universo e todas essas coisas tão fora do chão e que, por isso mesmo, não tinham nada a ver com ela; e segunda-feira em espanhol, uma língua tão cafona quanto uma pose brega e latina de Antonio Banderas.

Segunda-feira, aquele dia que todo mundo reclama por que o final de semana acabou, ou por que vai ter que encontrar de novo aquele chefe chato, ou aquele trabalho insuportável. Segunda-feira, aquele dia que todo mundo quer apagar da semana e que, se apagasse, o ano passaria mais rápido. Segunda-feira, aquele dia em que começam todas as dietas, ou a academia cuja preguiça sempre faz abandonar. A segunda-feira poderia ser tudo isso se ela não tivesse entrado por aquela porta.

Daquela porta em diante, toda a segunda-feira seria o dia dos novos projetos, das novas ideias, dos novos conceitos. Toda segunda-feira seria o começo de uma semana com o cheirinho do café de Paty, ou as portas e os computadores que dona Alice sempre mandava consertar. Toda a segunda-feira seria o começo de uma semana de óperas agudas e viscerais da sua chefe Catarina, ou das brincadeiras e da enormidade de doces consumidos pelo doce que é Juliana. Toda segunda-feira seria tudo novo, seria a chatice de qualquer chefe chato, substituída pelo riso fácil e engraçado de Fabíola ou pelas maçãs do rosto tão vermelhas de Rapha, que um dia sumiu e nunca mais voltou.

Todas as segundas-feiras seriam a renovação dos seus risos com Anna, sua para sempre companheira de letras, que carregava sempre na sua enorme bolsa, uma bagagem de grandes aventuras que ocorriam, na sua maioria, bem antes das 8 horas da manhã. Ou ainda de Mauro, com quem ela partilhava a infinita compreensão do que é não ter um pingo de memória e organização. Todas as segundas-feiras ela entrava por aquela porta com a certeza que escutaria as coisas mais engraçadas da boca de Joelma e que, antes das 9 e meia da manhã Janjão lhe ligaria avisando, mais uma vez, que estava com desinteria e que por isso ia chegar atrasado. Todas as segundas-feiras ela sabia que em alguma hora do dia, a sala iria virar uma bagunça e que tinha dias que ela ria, outros dias, se omitia.

Ao fim do dia, depois que todo mundo saía, ela fechava a porta atrás de si. Mas ao contrário das dietas que ela abandonava, da academia que não frequentava ou dos projetos que não fazia, ela cultivava, amava e vivia todos os dias, sem querer que nenhuma segunda-feira fosse tirada do calendário, sem que o ano fosse diminuído ou a semana encolhida, por que nunca daria tempo dela fazer tudo o que queria.

Exatos um ano e meio de segundas-feiras todos os dias.


Créditos

Aos amigos que fiz em todo esse tempo de convivência e trabalho.
À segunda-feira que é o dia em que tudo é novo e começa de novo.


Auf wiedersehen.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

A melhor ameixa do mundo

Os últimos acontecimentos da minha vida e à minha volta, provam o quanto o indivíduo se preocupa e se ocupa em seguir padrões.
Seja na estética, quando muitas mulheres fazem o maior esforço do mundo para perder-ganhar: Perder peso, medidas e ganhar admiração, novos romances e mil possibilidades;
Seja no trabalho, quando o funcionário como uma formiguinha trabalhadora, segue direitinho o manual de normas e procedimentos e assim se encaixa naquele perfil da maioria que contribui não trazendo mudanças nem inovações;
Seja na política, quando os políticos falam tanto em ética, mas o pré requisito fundamental é ser corrupto para não fugir da regra;
Seja na religião, quando infelizmente muitas dessas tão famosas e populares “casas de Deus” pregam a palavra cobrando um trocadinho em nome da lavagem, oops, da caridade ao próximo.
Seja no nosso ambiente familiar, quando as famílias tentam viver suas vidas de forma imparcial e até egoísta, pois hoje ninguém tem muito tempo para ninguém...

As pessoas querem parecer cada vez mais com as outras. Moralmente não basta mais. Existe até gente fazendo cirurgia plástica apontando na foto com quem quer parecer...
A natureza detesta igualdade. Cada flor que nasce no campo é diferente, assim como cada folha de grama. Nossa impressão digital é tão particularmente nossa que podemos ser identificados com ela. Mas o homem é uma criatura estranha. A diversidade amedronta. Ao invés de aceitar o desafio, a alegria, a maravilha da variação, em geral tem medo dela. Ou afasta-se ou procura confundir particularidade com igualdade. É como se houvesse um receio de que ser autêntico possa te fazer parecer excêntrico, logo, ser excêntrico no mundo de hoje é ser “ridículo.”
Existe uma metáfora que eu li em um livro que fala sobre o “Amor” e a riqueza do seu significado. Dentro de vários deveres nossos para termos um comportamento voltado para o crescimento no amor, essa foi a que nunca esqueci:

- Deve aprender que não pode ser amado por todos os homens. Esse é o ideal. No mundo dos homens isso é raramente encontrado. Pode ser a melhor ameixa do mundo, madura, suculenta, doce e oferecer-se a todos. Mas deve lembrar que existem pessoas que não gostam de ameixas.
Deve compreender que se é a melhor ameixa do mundo e a pessoa a quem ama não gosta de ameixas, tem a opção de tornar-se uma banana. Mas deve estar consciente de que se escolher tornar-se uma banana será uma banana de segunda categoria. Pode passar então sua vida tentando ser a melhor banana, o que é impossível se é uma ameixa, com isso, ainda arrisca-se que a pessoa amada descubra que não é o melhor e o descarte...
Mas poderá voltar sempre a ser a melhor ameixa...

Se aceitar é na verdade amar a si próprio. E isso também envolve o conhecimento de que ninguém mais pode ser você. Se tentar ser como outra pessoa, talvez se aproxime muito, mas sempre será um segundo. Mas você é o melhor você. A melhor ameixa ou qualquer que seja a fruta. Isso é a coisa mais fácil, mais prática e mais recompensadora do ser. Então faz sentido que você só pode ser para o outro aquilo que é para si próprio. Se você conhece, aceita e gosta de si próprio e de sua individualidade, permitirá que os outros façam o mesmo. Se valoriza e aprecia a descoberta de si, encorajará os outros a descobrirem a si mesmos. Não tenha medo de não ser perfeito. É tão gratificante perceber que sendo você mesmo, mesmo com defeitos, você sempre se sentirá aceito.

Agradeço à Leo Buscaglia que trouxe no seu livro “Amor” mais uma poderosa metáfora para a minha coleção.
Agradeço à pessoa que não gostava de ameixas até que experimentou uma. E hoje não gosta como prova que ama ao ponto de não trocá-la nem por meia dúzia de bananas.

_______S2________

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Uma receita

Saboreie o seu chocolate preferido.
Agora selecione o melhor dia de sol.
Esqueça todos os problemas.
Faça o desenho mais bonito.
Escreva o texto mais caprichado.

Suba no topo de uma árvore e sinta o vento lá de cima.
Encha sua cama de travesseiros e deite.
Suje suas mãos de tinta.
Durma apenas com uma blusa leve.
Deite na areia e escute o mar.
Deixe o sol queimar um pouco a pele.
Se refresque.

Feche os olhos e fique em silêncio.
Ou curta o compasso de uma canção.
Dance sua música preferida, ou apenas cante.
Ande descalça pela grama, ou sinta a terra molhada sob os pés.
Abra a janela do carro e coloque a mão para fora.
Apoie a cabeça num ombro confortável.

Dê a gargalhada mais intensa, dessas que fazem doer toda a barriga.
Derrame as lágrimas mais fajutas, assistindo um filme de romance.
Coma aquela manga suculenta, que escorre pelo pescoço.
Faça uma viagem qualquer com quem você ama.
Arrume o quarto e a vida, coloque um lençol limpinho na cama.

Tome um banho demorado e quente.
Passe um dia só seu, sem fazer nada.
Se permita uma bola de sorvete de creme.
Leia um livro repetido que você adorou.
Corra na beira da praia por uns 15 minutos e pare.
Sinta o coração batendo tão forte, dentro do seu ouvido.
A respiração ofegante e a certeza de estar vivo.

Buzine menos, ou quase nada, no trânsito.
E esqueça o tempo, por um tempo infinito.




CRÉDITOS

Ao meu namorado que me faz sentir assim.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

UM SUCESSO




" Existe um mundo melhor, mas é caríssimo!"

Eu juro que não sei de quem é essa frase, mas achei genial por que traduz ao pé da letra este meu momento. Este meu momento na verdade não tem nada de novo. Sabe quando a gente diz "queria tanto que minha vida desse uma guinada de 360º"? Então...eu pedi isso e isso aconteceu, saí de um ponto e, um ano depois, estou voltando exatamente ao mesmo ponto. O universo conspira a nosso favor. O fato é que, depois do post A Mudança, tudo mudou mesmo. Nada de apartamento novo ou decoração nova, nada de vida nova. Só a vida entulhada dentro das caixas. Ordens do destino. Enfim, voltando ao mote deste post, que é sobre sucesso, encontrei essa frase incrível que mostra que, de fato, existe um mundo melhor mas é caríssimo e é preciso ter dinheiro para encontrar esse vale encantado.

Com os últimos acontecimentos da minha life, decidi que ser uma mulher bem sucedida não é ser feliz no trabalho e sim ganhar bem. Mesmo que se faça um trabalho enfadonho como redigir petições, deve ser incrível no final do mês ganhar uma bolada. Por que com dinheiro a vida é mais leve. E eu não estou fazendo apologia à futilidade, ou sequer sou uma psicótica que só vê cifrões na frente. Eu sou uma pessoa péssima em matemática e que odeia ter que contar o dinheiro para pagar todas as contas no final do mês.

Percebi, por exemplo, que minha mãe não é uma mulher de sucesso, por que saiu da extrema miséria para uma pobreza controlada. E não é isso que eu quero para mim. Quero realmente ter dinheiro para pagar as contas, trocar de carro e ainda viajar nas férias. Isso sim é ter sucesso profissional. A minha vida de verdade é fora do trabalho então não quero trabalhar ou ser feliz com o que faço, quero trabalhar e ser feliz com o que ganho. Por conta dessas constatações, decidi também que ser diretora de arte não é tudo nesta vida e que não vale a pena ser tudo isso se eu não ganho o suficiente para ser feliz. Por mais que dinheiro não seja felicidade, ajuda bastante a comprar uns pedacinhos. Então, decidi também que, a partir de agora, qualquer caminho profissional pode ser interessante, e que meu curso superior em publicidade e propaganda não será o que me define profissionalmente daqui para a frente.

E quando tudo mudar de verdade, eu juro que comunico a todo mundo.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Mudança



Mais uma vez estou de mudança. Há quase um ano escrevi um texto, A Ponte, sobre mudança. E lá estou eu de novo mudando. Louca, ansiosa que chegue o dia em que ficarei para sempre numa residência fixa. O que quer que seja que "para sempre" signifique. Mudança toda ela é custo, esforço e cansaço. Mas o bom de mudar de casa é aquela sensação de que todo o resto vai mudar junto. Uma nova casa é um estímulo para se renovar tanto o ambiente, quanto a gente. Começamos por jogar o máximo de lixo fora, para diminuir o que teremos que carregar. Depois vamos retirando roupas do armário que já não usamos e doamos. Depois vamos nos desfazendo de pequenos objetos sem nenhum valor que sempre insistimos em colocar na prateleira. Organizamos as caixas e as coisas com cuidado e esmero, como se cada treco fosse um tesouro. Ao remexer as coisas ainda encontramos fotos antigas, retalhos, cartinhas com declarações de amor eternas que só duraram o verão das férias escolares, encontramos retalhos, desenhos e lembranças que guardamos com tanto carinho. À medida que os trecos vão tomando seus lugares dentro das caixas de papelão, percebemos que uma vida cabe dentro de pouquíssimas caixas e por isso é tão pequena. A casa nova aos poucos vai tomando forma na nossa cabeça, começando pela cor das paredes, os tipos de móveis, os detalhes. Ao fazermos uma mudança para um novo lugar é como se abandonássemos não só a antiga casa, como nossa antiga casca. E esta nova, sempre é a melhor. Espero que em breve minha mudança esteja feita e que eu me mude para sempre, até à eternidade de uma próxima grande mudança.


CRÉDITOS

Este texto é dedicado exclusivamente à minha dupla, redatora, amiga, sonhadora conjunta Anna Terra, que junto comigo está mudando. Sempre.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

SIM!

Ontem foi dia de cineminha com o namorado. Assisti um filme bem legal, Sim Senhor, com Jim Carey. Aconselho demais. Ele faz o papel de um cara que diz não pra tudo e que, por isso, não sai da sua rotina pálida e sem graça. Um dia ele vai a uma palestra cuja mensagem principal é: diga SIM a todas as oportunidades que apareçam na sua frente por que você nunca sabe aonde elas podem te levar. E assim foi, o cara começou a dizer sim a tudo e percebeu a quantidade exorbitante de experiências incríveis que estava perdendo na vida, e pior, que estava perdendo a vida em si. O filme é genial, não por ser um primor cinematográfico, mas por essa postura que ele passa. Achei o máximo. Por conta dele eu agora vou dizer sim a uma porção de coisa:

sim para todas as festinhas de aniversário,
sim para os bazares de lingerie das amigas,
sim para os filmes de terror ou de bang-bang,
sim para as promoções do shopping,
sim para os trabalhos legais,
sim para pintar as unhas de rosa choque,
sim para cortar o cabelo,
sim para uma peça de teatro,
sim para ir ali na padaria com a amiga,
sim para almoçar de novo minha comida super condimentada,
sim para um monte de coisa.

não, não mesmo para o camarão e os frutos do mar.


Créditos

Ao meu namorado que assistiu "n" filmes comigo esse final de semana, e que diz sim a quase tudo pra mim. Mas eu também digo pra ele. :)
À minha Susue, Jana, que sempre diz sim aos crepes.

domingo, 12 de julho de 2009

Preconceito versus Constatação

Preconceito
s.m. Forma de pensamento na qual a pessoa chega a conclusões que entram em conflito com os fatos por tê-los prejulgado.



Há uns tempos atrás uma amiga minha escreveu uma frase que causou um rebuliço cibernético. A frase inclusive ganhou um concurso e, obviamente as pessoas não poderiam ter ficado mais descontentes. O fato é que essa amiga dizia na frase que o seu pretinho básico (um vestido) tinha pedido alforria e saído do armário direto para o seu corpo. Era algo deste tipo. Nada de mais. Não foi de se surpreender, claro, que dezenas de pessoas se manifestaram, acusando-a de preconceito por ter feito uma alusão, bem despretenciosa diga-se de passagem, sobre o vestido pedir alforria e a escravatura dos negros que um dia pediram alforria. Não foi de se espantar também que ela recebesse comentários irônicos e sarcásticos de que, com certeza, ela era loira, dos olhos azuis, racista, preconceituosa e nazista e que obviamente fez aquela frase com o intuito terrível e bla bla bla. Preconceituosa. Pois eis que todo mundo que comentou foi mais preconceituoso do que ela poderia ter sido com uma frase tão simples. Pois essa amiga minha é morena, bem morena, cheia de melanina na pele, cabelos escuros, olhos castanhos e longe, bem longe de achar que um 'pretinho básico que pede alforria' poderia ser um escravo negro pós-moderno.

Este caso é só para ilustrar que qualquer coisa, forte ou não, pode criar polêmica e incomodar profundamente as pessoas por simplesmente tocar num assunto do qual ninguém quer ouvir. Nínguém quer ouvir que um dia os negros foram completamente explorados, maltratados, e extirpados do seus direitos mais humanos. Por isso, qualquer alusão ao negro é vista logo de forma ofensiva e preconceituosa quando, na verdade, o preconceito parte de quem interpreta. E isso é tão, mas tão institucionalizado na cabeça do povo e da nação, que foram criadas as cotas raciais para compensar historicamente o mal que o mundo causou aos descendentes de africanos e com essas cotas comprovamos que mais uma vez os negros são tratados de forma desigual. Constitucionalmente desiguais. Preconceito.

dizer que um negro é negro, é preconceito.
dizer que um anão é anão, é preconceito.
dizer que o feio é feio, é preconceito.
dizer que o horrível é horrível, é preconceito.
dizer que o gordo é gordo, é preconceito.
dizer que o estúpido é estúpido, é preconceito.

dizer que o branco é branco, é constatação.
dizer que o alto é alto, é constatação.
dizer que o bonito é bonito, é constatação.
dizer que o inteligente é inteligente, é constatação.
dizer que o magro é magro, é constatação.

dizer o negativo é negativo, é disfemismo.
dizer que o positivo é positivo, é pleonasmo.

Por que é uma ofensa, um preconceito, um nazismo, uma idiotice, uma barbaridade, uma ofensa, um absurdo, dizer que as coisas são como são. Que as pessoas são como são. Que os negros são negros, que os brancos são brancos, que os gordos são gordos, que os gays são gays, que os feios são feios, e que todo mundo vê e que não precisa fazer préjulgamentos daquilo que está vendo, por que é visível e a conclusão corresponde com os fatos. Constatação.


Créditos

A todas as mulheres baixinhas demais, do quadril e dos ombros largos demais, da boca grande demais, dos olhos completamente sem cílios, nada de especiais que alguém no mundo deve achar que são lindas, perfeitas, incríveis, loiras, altas e magras, quando na verdade são normais.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Um próximo livro - clique para ler



Auf wiedersehen. :)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Aimara



Hoje a minha irmã mais nova faz 18 anos. E esta é a minha homenagem.

Eu troquei as fraldas da minha irmã caçula, tive idade para isso.
Dei banho nela, apesar de me divertir mais do que dar banho propriamente.
Despenteei seus cabelinhos, que eram tão poucos e por isso eu sempre ria às custas dela. Chamei-a de chata mil vezes, e de gorda outras tantas, sem saber que um dia ela seria linda, magra, deslumbrante, incrível, estonteante. Briguei com ela quantas vezes foram necessárias, e desnecessárias também. Ri mais ainda com ela e dela e das suas palhaçadas, da forma como decorava a voz dos personagens dos desenhos animados e depois imitava igualzinho. Fantasiei-a de noivinha, de palhacinha, de bailarina e de todas as coisas divertidas do mundo, e outras mais. Transformei-a na minha boneca viva quando mal tinhamos dinheiro para comprar bonecos e, sem dúvida essa era a minha brincadeira preferida. Morri de medo dos seus olhinhos pretinhos quando ela era um bêbêzinho ainda. Morri de raiva cada vez que ela comia o brigadeiro que mamãe deixava para mim dentro do fogão, pra não pegar formiga. Morri e morro até hoje de amores por ela e morreria por ela, se caso fosse necessário.

Há 18 anos eu fiz isso tudo e hoje faria novamente e mais ainda. Eu a levaria para todos os lugares comigo se soubesse que hoje, estaríamos tão geograficamente distantes uma da outra.

Parabéns Sissy. Este é o meu presente de longa distância para ti. Espero que gostes.
Te amo always and forever, and ever, and ever.

Chicken.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Divã

Esta semana fui assistir Divã com o meu namorado. Muito bom o filme. Vale muito a pena assistir. A personagem principal do filme diz frases bem legais e de efeito em todo o filme. Frases que eu gostaria de ter memória boa o suficiente pra poder me lembrar. Mas a frase que mais me marcou no filme todo foi uma comparação triste, porém verdadeira que ela fez:

"ver seu ex-marido com outra mulher (quando você ainda gosta dele) é o mesmo que você emprestar seu melhor vestido pra uma amiga e perceber que nela, o vestido caiu muito melhor. E mais, é ver que essa amiga, mesmo não cuidando do seu vestido como você cuidaria, mesmo derramando vinho no vestido e sujando ele todinho, ainda assim, o vestido fica muito mais bonito nela."

eu não conheço a sensação de "emprestar" ex-namorado pra alguém por que nunca tive nenhum que fosse o meu melhor vestido, mas sei qual a sensação de emprestar o meu melhor vestido e ficar bem melhor em outra pessoa. É um ciúme, uma inveja, uma tristeza.

Pior do que emprestar um ex que já não presta para nós, é ver o atual namorado "vestindo" outra pessoa do passado e perceber que ele parecia tão mais bonito com ela. Só estou escrevendo este post por que às vezes a gente encontra o que nem sequer procura. Entramos pelos caminhos da curiosidade por pura falta do que fazer, por inocência mesmo e acabamos por não gostar do que vemos. E eu vi hoje. Apenas duas fotografias que me deixaram uma pedra na garganta. Ele é o meu novo vestido, ela o vestido velho dele. Mas vestem bem.

Depois destas constatações, posso reformular a máxima do filme:

"quando você compra o melhor vestido do mundo, que você sempre sonhou e descobre que esse vestido já vestiu alguém e ficou muito melhor nessa pessoa, é o mesmo que emprestar o ex-marido que você ainda ama. Mesmo sabendo que aquela pessoa sujou seu vestido, usou bastante antes de você, mesmo sabendo que o vestido foi lavado, engomado e renovado pras suas mãos, você sabe que, no fundo, o vestido não é novo e que alguém viu primeiro que você."
É um ciúme, uma inveja, uma tristeza, uma tortura.



Auf wiedersehen.

Quer saber? agora eu fiquei puta.

Quando acontece uma coisa que nos incomoda muito, pela simples proporção que essa coisa toma e que não deveria tomar, a gente começa a rever uma porção de coisas. Revemos nosso comportamento e o dos outros à nossa volta, pra ver se está tudo tocando na mesma sinfonia. E não está. Este post é um pouco pessoal, mas sabe, caguei baldes. Vou falar e pronto. A gente não escolhe pai, nem mãe nem o resto da família. A gente já nasce sem opção pra essas coisas. Adoro a minha família, mas como toda ela, há uns problemas que surgem que dá raiva por que não deveriam ser problemas! Mas são. Como uma opção sexual é um problema, uma religião diferente é um problema, uma criação diferente é um problema, um blog é um problema! Preciso dizer isto: caralho! As criancinhas da etiópia tão morrendo de fome e um blog é um problema??? Caguei baldes! Podem reclamar. Fui criada com total liberdade de expressão e de escolha por que não fui criada pela minha família, e sim pela minha mãe e minha mãe me ensinou várias coisas tais como:

- nunca case virgem. Você pode passar o resto da sua vida com alguém péssimo de cama e você nem saber por que é tão infeliz.

- nunca seja mãe solteira. Uma vez mãe solteira para sempre assim, por que o homem sempre acha que a sua parcela na produção daquele bêbê é de apenas dois cromossomos e nada mais.

- se religião, igreja, bíblia e deus fossem essa coisa toda que todo mundo diz que é bom, ninguém era fundamentalista religioso, igreja não excomungava crianças estupradas por causa de um aborto, a bíblia não era machista e ninguém matava ou deixava morrer em nome de deus e o mundo não estaria esta grande merda.

- quer falar? Fale. mas você pode não gostar da resposta dos outros. Se não gostar, saiba responder de volta. Se não gostarem da resposta, sinta-se no direito de dizer que a boca é sua e você fala o que quiser.

- quer ser respondona ou desobediente, seja. Menos comigo.

- quer que a sua família ou qualquer outra pessoa não pegue no seu pé? Seja invisível.

- quer ser invisível? Suma.

- quer prestar e todo mundo te achar o máximo? Morra.

Pronto. Vou ficar pelo sumiço mesmo. Espero que ninguém venha reclamar da minha ausência. Ninguém está presente na minha vida mesmo. Então estamos quites.


Auf wiedersehen.

Uma crítica

Críticos de cinema criticam filmes.
Críticos de gastronomia criticam comidas.
Críticos de literatura criticam livros.
Críticos esportivos criticam esportes.
E críticos de nada específico são críticos de qualquer coisa.

Acho que todo blogueiro “especializado em generalidades” (vide blog bem interessante da Rosana Hermann: www.queridoleitor.com.br) se inclui nessa categoria. Uma categoria indefinida e livre para criticar o que estiver a fim. Estou escrevendo isso por causa de uma recente experiência pessoal em que minha família me criticou por eu supostamente criticar outra pessoa que nem sequer é da minha família também e a quem eu devo apenas o fato de estar adicionada no meu orkut, o que hoje em dia não quer dizer muita coisa. A crítica do post foi plausível, levando em conta que a pessoa criticada só o foi por que não sabia escrever português, o que para os seres humanos que escrevem em blogs é absolutamente gritante, por que simplesmente percebemos que a inclusão digital trouxe à tona milhares de semi-analfabetos deste querido Brasil.

Pior do que ser criticada por criticar alguém cuja imagem foi preservada, mesmo que essa pessoa se exponha com a pior imagem que alguém poderia expor de si mesma, é saber que, em plena democracia da informação, em plena liberdade de expressão, as pessoas se incomodam e se ofendem com quem nem sequer deveriam se incomodar. Pior ainda do que apenas se incomodarem com aquilo que absolutamente não lhes dizem respeito, é transformar um post num problema de grandeza maior, desnecessária e familiar, como se nós, blogueiras, fossemos crianças de 4 anos que devemos explicação de tudo o que fazemos aos nossos pais.

Aos que se incomodam a esse ponto eu só posso aconselhar a criarem um blog pra si mesmos e verem que, às vezes, acordamos com vontade de criticar alguma coisa que nos incomoda muito e que um blog é um maravilhoso exercício literário para se dizer o que quiser. Se não quiserem um blog, podem se ocupar do orkut alheio.

A inclusão social, além dos semi-analfabetos, trouxe também uma possibilidade de se invadir a vida de qualquer pessoa e, se essa pessoa deixa sua vida ser invadida, está disposta a arcar com as consequências. Quem não quer esse tipo de transtorno pode começar por eliminar os seguintes sites da sua vida: orkut, msn, hi5, twitter, blogs, facebook, email, entre outros.

Um dia, todos nós podemos acabar no blog alheio por qualquer razão. Na internet todos somos celebridades e tal como as celebridades somos criticados quando não fazemos algo tão legal e ovacionados quando fazemos algo que preste. Eu e minhas amigas mesmo já aparecemos em blogs alheios, na tv, no jornal, em portfólios, em qualquer lugar de ordem pública e não nos descabelamos por causa disso.

A pessoa que foi criticada neste blog poderia ter sido criticada por coisas muito piores, mas o blog se ateve apenas à completa falta de gramática e não à completa falta de tantas outras coisas.

Este post todo é só para mostrar como eu e quem mais posta neste blog estamos completamente revoltadas com o ridículo de toda esta situação. Alguém disse que alguém viu que no blog destas meninas tão boazinhas, alguém escreveu um post criticando uma pessoa que poderia ser tão boa e tão pura, mas que, coitada, não sabe escrever português. É assim que acontece uma grande confusão. Pois aos que morrem de pena, se ofendem ou se sentem indignados no lugar da outra pessoa, façam um favor: paguem um curso de português a quem precisa.

CRÉDITOS

A Susue, que apagou o post para não incomodar os outros: um “beijo, te amo.”
Ao meu namorado que me deixa soltar o miniatura pintch que há em mim: amo-te.
A Maurinho, que não tem nada a ver com o post, mas que tem a melhor resposta para isso tudo: “cago baldes.”
Aos semi-analfabetos do Brasil: uma gramática.


É isso. Auf wiedersehen.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Síndrome do ninho vazio

A ausência não emite som algum, mas grita de doer os ouvidos. A ausência não ocupa espaço físico, mas se espalha ao ponto de nos deixar sufocados...
A ausência não se importa com o quanto ela incomoda. Ela não avisa que vai roubar lugar.
Sentir a falta de alguém é sentir falta de você mesmo. É perceber o seu próprio vazio. É ter sua extensão interrompida bruscamente. É ter só a parte de dentro para procurar lembranças que possam aliviar o aperto. E nessa parte de “dentro” há vestígios, frases, risadas, brigas ,lições, semelhanças e alguns sonhos em comum.
Percebemos que nos tomaram algo quando não conseguimos mais enxergar nossos pedacinhos no outro... Porque o outro não está mais ali pra nos servir de espelho. O outro, que pode ser um amigo, um irmão ou o amor da sua vida, é o começo, o meio e a continuação do que você é, mesmo que esse ‘você’ mude diversas vezes (o outro não vai deixar de contribuir).
Quando eu era menor o meu sonho era ter um computador e um quarto só pra mim. Isso nunca foi possível... Até que bem recentemente, meu espaço pequeno ficou ainda menor quando eu me vi dormindo novamente com minha irmã e minha sobrinha.
Bem, elas tinham um computador...
Foram vários meses disso. Falta de espaço e o computador, que era um sonho tão próximo, mas que não me pertencia.

-Apaga a luz.
-Não faz barulho.
-Hora de sair do computador.
-Esse teu despertador é um saco...
-Vem ver esse filme! Ei! Não acredito que você já dormiu!
-Arrume o quarto hoje!
-Tia.Me empresta aquele teu gloss.

Até que eu descobri que dividir, compartilhar, trocar, aprender, consolar e amar foram os verbos que aquela “falta de paz” me proporcionou por mais quase 2 anos.
Hoje eu cheguei em casa sozinha e tava tudo muito quieto. Eu percebi que depois que elas se foram deixaram muito mais do que um quarto cheio de espaço e um computador. Deixaram comigo e com todos em casa o sonho de te-las novamente aqui, como vinha sendo. Com todos os gritos, brigas, brincadeiras, filmes, comidinhas e o carinho que elas tinham por todos nós, em especial por aquela caridosa alma que perdeu seu egoísmo quando entendeu que dor mesmo sentimos não é quando nos tomam um espaço, e sim quando desocupam um enorme que já existe dentro de nós.
Deixem-me trocar de sonho.
Quero apenas o humilde cantinho barulhento e os poucos minutos de acesso ao computador... Quero arrumar o quarto e permanecer acordada até o fim de todos os filmes.Quero dizer "sim" a todos os "não" que disse. Queria ELAS de volta e todas as experiências que somam a mim, hoje, o que eu sou.

OBS: Eu sei que esse sonho novo continuaria sendo egoísta.É hora de permitir que elas conquistem os seus próprios espaços. É preciso aceitar e compreender que permanecemos no ninho até que estejamos prontos para sairmos dele. E mesmo sabendo o quanto machuca, eu sei que era a hora do vôo de vocês.
Boa sorte, Paz, AMOR e FELICIDADE. É o que meu coração partido (mas ainda coração), deseja verdadeiramente.

Angélica e Duda:
Amo MUITO vocês.
O amor de família.
O amor que aceita todos os humores.
O amor de todo dia.
(pra sempre)

quarta-feira, 6 de maio de 2009

No fundo, somos todas iguais


Este texto não tem personagens metafóricos. Tudo na primeira pessoa.
Ontem sentei-me no restaurante com a minha melhor amiga e conversamos horas a fio sobre várias coisas em torno de um mesmo assunto que acontece de ser o assunto de sempre, sobre o qual sempre existem várias outras coisas a serem faladas: namorados. Descobri que nós, mulheres, andamos sempre com o coração na mão, pra não dizer outra parte do corpo menos romântica, quando se trata dos homens. Em menor ou maior escala, ou ainda em diferentes graus de variância, nós mulheres, dentro da normalidade, temos um corportamento-padrão em comum: sabemos o quanto o outro (o homem) nos é fugaz.

As mulheres casadas, as bem casadas claro, sabem que ao final do dia seus maridos retornam ao lar, ao seu lado da cama. As que têm namorados sabem que, ao final do dia, os namorados retornam para onde bem entenderem e isso não significa que seja necessariamente para o seu lado da cama. Acho que por isso os homens fogem do casamento, por que sentem que, mal ou bem, seu direito de ir e vir fica comprometido, já que o seu caminho pra ir e vir será sempre o mesmo.

A natureza dotou as mulheres de um instinto materno. Claro, a natureza fez isso, nós não pedimos. Com esse instinto a mulher gera e cria mini-seres humanos que dependem dela integralmente e cuja sobrevivência depende exclusivamente da presença materna. Assim, nos dotou também da sensação de que nossos homens estejam à nossa volta sempre, em todos os momentos. Por isso, em geral, mulheres não têm atividades excludentes do sexo oposto, para garantir que o homem possa sempre participar de tudo. Os homens por sua vez têm atividades tão masculinas que fazem as mulheres se sentirem mal por estarem perto.

Diante desta natureza de ambos os sexos, eu e Janaína constatamos que quando um homem sai sozinho ele leva consigo o nosso coração que fica, literalmente, na mão dele. É um sentimento de insegurança materno esse que nós temos, por que fomos geneticamente treinadas para só olhar, desejar, cuidar e se preocupar com o outro e abandonar todo esse narcisismo que faz qualquer homem amar-se a si mesmo acima de todas as coisas. A gente não compreende isso.

Para qualquer mulher isso tudo é uma tortura. Leve ou pesada. É como se fosse uma despedida, como se ela estivesse perdendo o outro e uma parte de si mesma junto. Toda mulher fica inquieta por que, no fundo, não confia na natureza humana. Se até os filhos deixam as mães, por que os homens não deixariam??!! E não adianta os namorados dizerem que adoram estar conosco. Quando eles não estão por perto, a gente deixa de sentir isso. No final das contas, todos sabem que só os cães são fiéis.

Depois de muita conversa, eu e Janaína chegamos às mesmas conclusões e sentimentos. Em intensidades diferentes claro. Eu na minha patética resignação e ela com um falso amadurecimento. Nisso a gente não amadurece. A gente engole. Amiga, nós somos bananas verdes.

Apesar do crepe ser de chocolate, a conversa não foi doce, mas aprendemos que nós, mulheres, sofremos pelas coisas erradas, somos umas loucas, desvairadas, desequilibradas que não sabemos conviver com o "eu-ego-narcisista" do nosso homem por que, simplesmente para nós, os verbos só se conjugam no plural.

Mas calma! Nem tudo está perdido. Hoje mesmo vou começar a olhar mais para o meu umbigo.



CRÉDITOS

À minha melhor amiga, pelo crepe, a conversa e a companhia.
Aos nossos namorados, por nos darem temas polêmicos para conversar.


Auf wiedersehen

terça-feira, 28 de abril de 2009

As chaves

Pára tudo. Naquele momento Silvia não consegue dizer nada. Ela queria muito um papel e uma caneta para escrever, por que falar não consegue. Silvia está deitada, muda, calada, sobre o peito de Rafael. Silvia tem tanta coisa para dizer e não diz nada. Só sabe que está inundada, não tem palavras. Sabe que Rafael encontrou a chave dos seus segredos, janelas, portas e desassossegos. Sabe que Rafael sabe destrancá-la quando bem entende, e nesse momento Silvia está desarmada. Sente-se ainda mais nua, desvelada, exposta, sem guarda.

Ele descansa tranquilamente sem pensar em nada. Ela tem tantos pensamentos, tão intensos, tão desgovernados, que pensa se eu não estiver concentrada vão me escapar da cabeça em debandada. Rafael permanece mudo, Silvia continua calada. Ela não sabe se ele sente aquela mesma coisa que ela. Aquela intensidade, aquele abismo, aquela vertigem sem fim. Ela não sabe até que ponto o corpo dele se desmancha feito o seu e se perde, ou enfraquece feito o seu. Ela não sabe até que ponto ele também fica sem saber o que dizer. Silvia não sabe ainda se aquele peso no peito que ela sente, ele sente também. Aquela angústia de poder perder a única pessoa que conseguiu achar as chaves do seu segredo, por que Silvia perde as chaves o tempo inteiro.


CRÉDITOS

Ao dono das minhas chaves.

Auf wiedersehen.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Minha mãe

Mãe, hoje eu quero colo.

Só colo. Aquele tipo de colo que só a minha mãe pode me dar. Aquele momento em que eu deixo a minha cabeça pesar sobre as pernas macias, morenas e sem pêlos da minha mãe. Hoje eu quero colo com direito a tudo: às mãos da minha mãe alisando meus cabelos, à sua voz me chamando de "meu passarinho". Hoje eu quero chorar por horas a fio nesse colo, por que sei que não é preciso motivo para chorar no colo de mamãe. Mãe, toda ela, nos deixa chorar à vontade, respeitando nosso silêncio, nossas lágrimas de crocodilo, nossos olhos inchados, nossas faltas de motivos. Hoje eu quero colo. Colo que homem, amiga, tia, avó, ninguém pode dar, só mãe. Mas mamãe não está perto. Por agora me contento com os travesseiros que não alisam os meus cabelos, nem sussurram ao meu ouvido "chore, chore tudo meu passarinho".

Créditos

à minha mãe que é assim mesmo.
ao colo que só ela sabe me dar.


Auf wiedersehen

A vida de Sofia

Só quando há tristezas, há posts.


Sofia olha-se ao espelho e não se reconhece. Como está envelhecendo! Acabou de descobrir finas rugas em baixo dos olhos e os seus cabelos não têm mais cortes esquisitos e pontas vermelhas da sua adolescência. Sofia passa a vida travando batalhas consigo mesma, passa horas se ocupando do que não gosta ou não interessa. Sofia não respira, tem olheiras, está cansada e agora tem rugas e gorduras também. Sofia não tem tempo e quando tem não tem forças para fazer qualquer coisa com ele. Sofia quer dormir. Para sempre. Quer pular as etapas da vida. Não quer ter os filhos que deveria ter, ou o casamento. Não quer emagrecer nem estudar nem trabalhar. Sofia quer a paz que só a idade avançada poderia lhe proporcionar. Sofia quer só uma cadeira de balanço, uma brisa, uma vida pouco intensa, com quase nada para fazer. Sofia quer que a vida se apresse e passe logo, para que ela possa descansar. Seu cansaço não é mais físico. Sofia cansou de todos os dias fazer aquilo que faz todos os dias. Por que Sofia percebe que a vida acaba e depois que acaba não sobra nada, nem trabalho, nem dia, nem vida, nem Sofia.


Auf wiedersehen

quarta-feira, 1 de abril de 2009

1° de Abril

O dia das mentiras surpresas. E que geralmente são desagradáveis...
Infelizmente as pessoas sentem mais prazer em causar uma aflição passageira nos outros do que promover a ilusão de um momento feliz.
Muitas vezes dizemos coisas e depois voltamos atrás dizendo que não passava de uma brincadeira, que na verdade era mentira.
Essas palavras impulsivas tão sem maldade, mesmo que tenham sido ditas com essa intenção, ficarão na memória de quem as ouviu e por um momento acreditou.
Pra algumas pessoas, essa data acontece todos os dias. Dizer e se arrepender. Só que dizer e depois desdizer não vai apagar a sensação desagradável que foi causada no primeiro momento. E nem sempre pedir desculpas depois é suficiente...

Há 2 situações que nos fazem aprender a importância de ter esse cuidado:
1- Quando em uma inocente brincadeira infeliz, magoamos uma pessoa importante, que não merecia ouvir “mentiras” nem mesmo por brincadeira.
2 - Ou quando é o contrário. Isso acontece com você...
As palavras são fortes e devemos ter cuidado ao usa-las. Brincar com elas é brincar com você mesmo e com a confiança das outras pessoas.
Por isso, aconselho a todos para fazerem diferente dessa vez. Aproveitem para que hoje seja mais um dia do ano para que seja dito o que realmente vale a pena. A verdade dos sentimentos, dos desejos, dos sonhos, da esperança e das boas intenções. Propaguem o positivo! O que faz a felicidade acontecer. De repente alguém devolve o mesmo a você...

Certa vez, alguém brincando me pediu para dizer:
“Eu não vivo sem você”.
E essa pessoa me pediu pra que eu dissesse isso mesmo se não fosse verdade...
E eu fiz. Repeti e faço questão de continuar dizendo até o último dos meus dias.
Mesmo sabendo que não é mentira.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Madalena

Madalena corre contra o tempo e contra a vida, mas encontra em certos braços a calmaria. Passam as horas, passam os dias, e Madalena vê seus passos cada vez mais leves, como se o que vivesse fosse apenas uma grande alegoria. A respiração é suave, todas as manhãs. O corpo flutua e Madalena tem todos os seus poros em alerta. Todo o vento que passa é mais uma dança dos cabelos. Todos os passos dados é a certeza de que está cada vez mais longe do chão. Madalena já quase não sente as próprias mãos. Vive um sentimento desconhecido que, ao contrário de todas as outras histórias da sua vida, está sem pressa de conhecer, sorvendo com muita calma todos os instantes. Como se fosse uma bola de sorvete de creme que não derrete na boca. Madalena consegue fechar os olhos e não pensar em nada, consegue dormir sem recapitular o dia, consegue acordar sem pensar no futuro. Pela primeira vez na vida, Madalena está tranquila como nunca esteve. Pela primeira vez na vida Madalena sente que não deve à vida a necessidade de ser, tão intensamente vivida, por que hoje, Madalena prefere acordar ao lado de quem lhe acalma e sentir que o seu corpo é apenas uma folha de papel à deriva.


Créditos

Aos braços de quem acorda ao meu lado.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Maria e a Prateleira

Um dia a mãe de Maria lhe disse: "parece que a minha vida está encostada numa prateleira, pegando poeira, enquanto espera ser vivida". Quando ouviu aquela frase, Maria olhou para ela com o pesar de quem não poderia, naquele momento, fazer nada que a ajudasse a mudar a sua vida e pior, se sentia culpada por uma parcela daquela vida parada. Sua mãe, tão jovem, nunca tinha vivido em função de si mesma, apenas em função daquilo que a vida tinha lhe oferecido. E era muito pouco. Mesmo assim, sua mãe agia com uma paciência de quem, ou é muito sábio, ou já tinha se conformado. O olhar de quem encosta a vida, é sempre virado para coisa nenhuma. Perdido.

Mas o caso não vem ao caso por causa da mãe de Maria apenas. Com o passar dos anos Maria vem percebendo que, não somente as semelhanças físicas as aproximam, mas uma incrível capacidade de sentirem a vida, as duas, da mesma forma. Sempre. São duas questionadoras incorrigíveis. Insatisfeitas inveteradas. Inconformadas com tudo, não por birra, mas por que lhes falta a serena capacidade de simplesmente aceitar. As coisas, para elas, não são como são, não são assim.

Com o passar dos anos também, Maria, tal como a sua mãe, sente que a sua vida está encostada numa prateleira, esperando ser vivida. Esperando um grande acontecimento que dure mais do que uma fotografia. Esperando as coisas acontecerem rapidamente, com uma urgência que aflige. Esperando coisas grandiosas, incríveis. Viagens, trabalhos, mudanças bruscas de rumo, um filho, um carro novo. Qualquer coisa que mexa com a sua rotina. Qualquer coisa que a faça perceber o quanto a vida mudou e o quanto vale a pena.

Mas a única coisa que Maria sente é que a vida continua encostada nos livros que ela ainda tem para ler. A cabeça está ausente. Maria não sofre por amor. Ama sem sofrer. Os dias são todos iguais. No final do mês o dinheiro nunca é dela. O carro continua quebrado. A vontade não existe. O otimismo continua não sendo o seu forte. As barrinhas de cereais nunca fazem parte da sua feira do mês. Maria não tem sobressaltos. Não faz planos, não cria expectativas, não vive nem o hoje nem o amanhã, por que sente que não vive. Ela não muda. Permanece muda. Os cd's permanecem mudos também, e os livros calados, e a poeira. Maria permanece leve, solta e alheia, pousada na prateleira.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Semana pré menstrual

É neste período que nós, extraterrenas ou não, somos invadidas pela famosa “TPM”, que conseguiu ser tão bem definida por mim aí abaixo:

TPM – To Pensando em Merda;

TPM –To Puta Mesmo;

TPM - To Pura Maldade;

TPM - To Presa na Melancolia;

TPM - Tenha Pena de Mim;

TPM - To Pronta pra Matar;

TPM -Ta Pensando em Morrer?

É exatamente assim que nos sentimos. Parece que todo mundo descobre aquele calo que você tem e faz questão de pisa-lo. Comparo esses dias da semana pré com o que a astrologia chama de “inferno astral”. A diferença é que os homens só tem um inferno astral por ano, no mês que antecede o aniversário deles, e nós, mulheres, temos obrigatoriamente 1 vez por mês.
Nossos sentidos sofrem alterações. Nosso olfato confunde suor com Yakult, nossa audição fica tão aguçada que conseguimos ouvir bem alto até o que não foi dito e claro, nosso corpo vira um “corpo estranho”.Ganhamos peso por retenção de líquidos e pelo apetite ansioso e insaciável que sentimos, então conseqüentemente aquela roupa linda não cai tão bem, e todo o resto do guarda-roupa também não...
Aquela sua mania ridícula ou aquele seu comportamento que toleramos tranqüilamente em outra época, vira algo INSUPORTÁVEL.
O lado positivo:
Ficamos de tensão pré menstrual para que vocês, homens, possam exercitar a virtude da “paciência”. Esse é o momento de demostrar esse tão grandioso amor que vocês dizem sentir. Anos de prática irão prepara-los para o momento em que não teremos tensão menstrual por um longo período, e então vocês terão a oportunidade de praticar a paciência como bons “pais” das nossas crias. Hehehehehe
O que foi? (mulher de TPM também tem senso de humor)!


MAS... Não abuse. A precaução é sempre válida:

Nunca diga a uma mulher que ela está de TPM (por mais que ela realmente esteja);
Preste bem atenção a tudo que ela falar, porque um simples comentário não percebido é motivo para ela reclamar do quanto você a ignora;
Nunca discorde do que ela disser, finja que ela tem razão só para não contraria-la;
Esqueça os apelidos engraçados. Eles viram palavrões gigantes nessa fase;
Lembre-se que TUDO cresce e toma uma dimensão absurda quando ela está nesta fase, por isso, tente ser “imperceptível” ao passar por ela e “com” ela por tudo isso.

Pois é. NUNCA, JAMAIS irrite uma mulher quando ela estiver passando pela semana pré menstrual, e principalmente se essa semana pré for a semana do carnaval!

Então, desejo a todos uma ótima folia de Momo!

E se você chegar vivo até o fim dela,bem...Parabéns!!!!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

"27"

De “quase 27” para o dia de hoje se passaram apenas três meses, mas muitas coisas aconteceram desse dia para cá.
Percebi que às vezes é realmente necessário esperar por certas coisas, mesmo quando pensamos que estamos atrasados para conquistá-las. Ter 27 anos é ter maturidade para perceber tudo isso e para confessar que se fosse preciso, esperaria por outros váaarios anos...
Hoje é o primeiro dia desta minha nova idade, e eu não me sinto mais velha ou menos bonita, pois ainda continuo ouvindo que não pareço ter essa idade, mas o mais positivo desse acontecimento é que eu reconheço que outras mudanças muito mais importantes estão acontecendo e isso tudo está sendo maravilhoso.

NÃO estar solteira aos 27 é:

Ter a melhor companhia para os filmes em casa nos sábados;

Ter alguém pra esquentar não só o pé, mas todo o corpo ao dormir de conchinha;

Ter alguém que mesmo cansado, acorda as 05:00 para preparar o café da manhã;

Ter alguém que gasta seu crédito claro com mensagens e ligações exclusivamente comigo;

Ter alguém que já decidiu comigo o nome dos nossos filhos;

Ter alguém que faz tudo pra me irritar só porque me acha linda quando eu fico com raiva;

Ter alguém que, no mesmo dia, consegue me dizer mais de 5 vezes o quanto eu estou bonita;

Ter alguém que me protege com um abraço e me deixa segura do quanto eu significo;

Ter alguém que aprecia meu bronze galeto;

Ter alguém que continuará gostando de mim mesmo depois que o meu bronze galeto virar “mortadela”;

Ter alguém que me entende e ainda me responde com um único olhar;

Ter alguém que joga conquistando territórios só para vencer e dedicar a mim a sua vitória;

Ter alguém que, por ser quem é, conquistou todo o meu território;

Ter alguém que além de paciente em me ouvir, faz questão de escutar tudo que eu tenho a dizer;

Ter alguém que lembra de exatamente tudo que eu digo, até das coisas mais banais;

Ter alguém que sempre sente saudades com muitos “s”;

Ter alguém que sente esses “s” 10 minutos depois de ter estado comigo;

Ter alguém que traz uma surpresa que vale por 3;

Ter alguém que me diz "feliz aniversário" minutos antes e minutos depois da meia noite;

Ter alguém que promete fazer a mesma coisa pelos próximos 27 anos;

Ter alguém que por si só já é o maior e mais valioso de todos os presentes;

Ter alguém que não só diz ‘eu te amo’ como faz exatamente o mesmo.

Ter alguém que me faz acreditar que “pra vida toda” pode ser verdade.


Diferente da época em que escrevi o outro post, dessa vez eu tive sim as duas opções, mas a minha escolha foi:

Ser feliz!

OBS: Definitivamente não precisarei mais de uma bicicleta. =)

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Uma mochila

depois de tanto tempo, um post.




Faz tempo que eu trabalho. Trabalhei desde muito cedo para ganhar a mesada. Depois para ajudar a minha mãe, depois pra comprar minhas próprias roupas e sapatos, depois para comprar as maquiagens, e pagar a viagem de finalistas da escola, depois para tirar a carteira de habilitação e comprar o carro mais velho que meu dinheiro poderia comprar. Depois trabalhei mais um pouco para bancar as saídas noturnas de segunda a segunda nos poucos dias de férias que me sobravam depois de trabalhar o ano todo. Mais adiante continuei trabalhando para poder pagar uma academia, comprar um celular novo, juntar dinheiro para gastar depois. Depois trabalhei mais ainda para comprar cremes para bronzeamento, perfumes importados, mais roupas e mais sapatos. Continuei trabalhando para pagar a propina da faculdade e pagar a xérox e a gasolina e para o conserto de um novo carro velho. O trabalho continuou desde que entrei na faculdade, para que eu pudesse um dia decidir morar só, pagar aluguel, condomínio, contas de luz e de água, cartões de crédito, mais roupas, mais sapatos, prestações de fogão e geladeira, mais conserto de carro, saídas, presentes de natal, poucas viagens. O trabalho continua para que tudo isso continue sendo pago. E eu vejo, todos os dias, pessoas tão jovens quanto eu, indo e vindo de viagens, criando milhares de oportunidades, buscando coisas em outros lugares, atirados no mundo, sem nenhuma bagagem. E todos os dias eu me pergunto o porquê do meu trabalho já que ele me paga para ficar parada, por que as contas chegam, as prestações vão sendo pagas, e eu vou acumulando uma infinidade de amarras. Hoje, tudo o que eu queria era uma mochila, com coisas baratas, pra ir pra qualquer lugar sem deixar nada.



Créditos

A André Muhle que me sugeriu comprar um camião para carregar tudo isso.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Fora de área e temporiamente desligada

Você já se imaginou sem o seu telefone celular?
Você já se sentiu incomunicável?

Tudo começou com um pequeno acidente tecnológico, quando eu não dei muita importância a certas instruções do procedimento idiota de baixar imagens do meu aparelho celular para o computador.
É aquela velha mania de achar que certas coisas não acontecem, e se forem acontecer, nunca será com você.
Quando eu percebi que não estava funcionando como de costume, eu retirei o cabo e repeti a operação, e: NADA.
Ao desistir, retirei o cabo de vez e quando olhei para o meu aparelho ele sorriu para mim trazendo uma mensagem no seu visor:

“Configuration error. Please contact your operator or service center.”

Acho que foi uma das poucas vezes que eu detestei entender inglês, eu queria tanto estar errada!
E se, mesmo mantendo o chip, esse dano for irreparável para o meu querido aparelho?
E agora? Como eu poderia ser encontrada? Como eu poderia falar com as pessoas? Como eu poderia mandar ou receber mensagens?
Hora de filosofar: (Enquanto o problema não é solucionado, vamos tentar encontrar o lado positivo disso tudo).
Nunca me considerei apegada a bens materiais. Mas certas coisas têm sim valor sentimental, e principalmente quando elas têm a função de guardar pequenas frases na sua memória.
Algumas coisas podem ficar armazenadas no chip e no aparelho, e fazemos isso por apego e por medo de esquece-las, mas há outras que certamente ficarão guardadas para sempre em algum lugar nosso que não permitirá que sejam apagadas...
Mensagens podem continuar sendo enviadas ou recebidas.
Às vezes uma mensagem em um olhar é muito mais eficaz do que os limitados xxx caracteres disponíveis para dizer o que queremos...
Às vezes um pensamento envia uma mensagem tão forte que ela consegue até ser respondida.
(de repente não seria essa a hora do desafio de deixar de lado tanta modernidade tecnológica para começar a exercitar outras formas de comunicação)?
Também concluí que se você tiver que ser encontrada, nem se preocupe que não dependerá somente de um telefone, e-mail, endereço nem hora marcada. Se tiver mesmo que ser, da maneira mais inusitada vão achar você.

OBS: Deixe seu recado após o sinal.

sábado, 22 de novembro de 2008

Enterrando os fantasmas



...Porque nem tudo que está morto está necessariamente enterrado...
Os fantasmas são pessoas, situações fracassadas ou possibilidades que não aconteceram. Diz respeito a tudo e a qualquer coisa. É aquilo que incomoda, pertuba e atrasa a sua vida para o “novo” o “vivo” o “possível”.
Conviver com fantasmas pode ou não ter uma parcela de culpa do assombrado. Alimentar a nostalgia do passado atrai os fantasmas como o açucar atrai formigas. Em alguns casos, a culpa não é só parcial como total da pessoa que se diz vítima desse mal. Mas o mais grave mesmo é quando você perde o medo deles e passa a conviver numa boa com isso, como se fosse parte saudável e necessária da sua vida, o que não é.

Vamos partir do início:
1-Um plano, objetivo ou relacionamento não deu certo.
2-Você tentou de outras formas e outras vezes.
3-Chegou num momento tal que você percebeu que aquilo não teria mais chance alguma.
4-Você desistiu e respeitou as circustâncias que te provaram que não daria mais. (vale salientar que respeitar algo não é sinônimo de “se conformar”com tal...)

Só que lembrar o “se” constantemente é um vício que atormenta. As lembranças do que você idealizou, viveu e até do que poderia ter sido perseguem aqueles que não conseguem verdadeiramente entender o fim das coisas.
Se tivesse dado certo...
Se eu tivesse conseguido...
Se tivesse acontecido...
Se eu tivesse falado...
Se eu tivesse ido...
E outros zilhões de “Se”.

O “se” só deve ser lembrado uma vez resumindo-se numa única frase:
Se tivesse que ser, teria sido!
E aproveitando que o ano está acabando, desejo a todos que encontrem a melhor maneira de afastar seus fantasmas internos e os que ainda estão muito vivos por aqui, lembrando que é você quem os atrai, e só VOCÊ que tem o poder de enterra-los para sempre.
E por mais perceptiva que eu seja, mesmo sabendo que tenho o dom pra isso, a partir de agora, EU NÃO ACREDITO MAIS EM FASTASMAS.

sábado, 8 de novembro de 2008

"Quase 27"

Em casa, em pleno sábado, tava aqui pensando no motivo do “solteira aos quase 27”.
Esse tal de “quase 27” passou a ter um peso difícil de carregar. Lembro bem quando dizia que tinha 25 e achava o máximo, mas agora, beirando os 27, significa que só faltam quase 3 anos para os 30, e chegar aos 30 solteira pode sim ser maravilhoso se você não sente a necessidade de estar ao lado de alguém realizando sonhos e batalhando pelas conquistas mútuas.
Dividida entre o orgulho de ser inacreditavelmente jovem e linda ao chegar nessa idade e ao fato de continuar solteira, eu fico pensando nos prós e contras disso tudo e me pergunto o “porquê” que eu paro para pensar nesse tipo de coisa. Lembro bem das aulas de psicologia e filosofia quando falávamos sobre o ser humano ter a necessidade social de fazer parte de algo, de seguir regras e concluir o ciclo de nascer, crescer e reproduzir ( com o detalhe do “casar” no meio desses dois últimos) e morrer.
Nunca me preocupei se eu fazia parte ou não de algum grupo ou se era bem aceita ou não
por isso, mas agora me pego pensando nessas coisas e concluo que não deixo de ser mais um fruto ordinário do meio. Mas por que isso só está acontecendo agora?
“É a idade...” hehehhe

Ser solteira aos “quase 27” pode ser muito legal pra muitas coisas, e principalmente quando essas coisas ainda são prioridade para muitas pessoas que estão nessa idade, como:
Ficar com quem quiser e quando quiser;
Não ter que dar satisfação de para onde vai, com quem e como;
Viajar sozinha ou com amigas;
Não precisar gastar dinheiro com presentes de natal, dia dos namorados e aniversário;
Não precisar brigar nem chorar por alguma decepção ou raiva;
Poder usar minis e tops porque ninguém vai reclamar por ciúme;
Não ter D.Rs;

Mas o que não existe pelo fato de ser solteira aos “quase 27”:

Não ter alguém para esquentar o pé gelado na noite ao dormir de conchinha;
Não ter outra escova fazendo companhia para a sua no banheiro;
Não ter pra quem mandar mensagens dizendo coisas legais;
Não ter alguém com um telefone claro para ligar custando R$0.06 centavos só pra falar besteira;
Não ter alguém pensando com você em quantos filhos vão ter e com quem vão parecer;
Não ter com quem dividir as poltronas para casal do BOX CINEMAS;
Não ter alguém que diga que mesmo quando acorda descabelada você continua linda;
Não ter alguém que mesmo cansado acorde as 05:00 pra te levar trabalho;
Não ter alguém que faz planos e inclui você em todos eles;
Não ter alguém que seja sincero e diga que aquela roupa ficou linda ou ridícula;
Não ter alguém para te proteger e para passar a segurança do quanto você significa;
Não ter alguém que te entenda com um simples olhar;
Não ter alguém que tenha paciência para te ouvir quando o resto do mundo some;
Não ter alguém para ir a praia com você para pegar aquele bronze camarão;
Não ter alguém que compre 1 big big e te traga de surpresa;
Não ter alguém que traga flores;
Não ter alguém que diga “eu te amo” e faça o mesmo;
Não ter alguém para amar pra toda vida .

Às vezes a nossa idade é psicológica. Poderia mesmo aos “quase 27” estar brincando de legos. Mas não. O que quero construir é real e bem maior que uma simples caixa de peças coloridas que se encaixam e podem desmoronar a qualquer instante. Quero algo resistente que não seja frágil, quero algo verdadeiro e é por isso que não é tão fácil de encontrar. Na verdade não se encontra, né... Se constrói. Aos poucos, diariamente, (mas não tente fazer isso sozinha mesmo que você seja a mais forte e dedicada das pessoas...) A falta de certeza se vai acontecer, e se for, quando será, é a grande questão...É o tipo de coisa que não dá pra marcar no calendário, estabelecer um prazo ou definir com qual idade gostaria de estar quando for acontecer.
Ahh, vale a pena lembrar:
É preciso que exista a outra pessoa.
E que ela tenha as mesmas intenções. ( Pelo menos de tentar).
MAS mesmo ela existindo e tendo as mesmas intenções ainda assim não há garantias.
E mesmo sem garantias o que importa é não desistir. Na pior das hipóteses o que der errado servirá como experiência para a próxima tentativa e “Os que conseguiram foi porque um dia tentaram”. Hehehe
(Esse conselho é velho, básico mas certeiro!)

...E enquanto os sinos não tocam, eu junto os sonhos e planos e continuo vivendo aquela vida de solteira lá de cima, que não é por escolha mas sim por falta da outra opção...


OBS: Bem, na dúvida, alguém sabe quanto está custando uma bicicleta?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A carne é fraca

Lenda urbana ou não, comportamento tipicamente masculino ou não, o fato é que se prega que “a carne é fraca”. A metáfora sugere que é quase humanamente impossível resistir aos desígnios da carne, aos desejos da pele e por isso, como num matadouro, a carne que passar à frente está pronta para o abate. A metáfora continua, nesta línguagem de açougue, para mostrar como homens e mulheres se comportam. Eles se abatem todos os dias e essa necessidade canina, carnívora e voraz transforma as relações entre os sexos num rodízio quase canibal. São insaciáveis, querendo provar uns aos outros, usando como pretexto, a tal lenda que diz que a carne é fraca e que é impossível de resistir às ofertas deste incrível mercado. Provar de tudo, provar de todas, com pouco tempo para saborear. A carne é fraca. Não importa o corte, se está bem ou mal passada, dentro do prazo de validade. O que vale é provar. O que, no entanto a maioria das pessoas não sabe, e isto se aplica majoriamente aos homens, é que não é a nossa carne que é fraca, fraca é a carne que nós provamos todos os dias.
Já dizia a minha avó, que uma refeição tem que ter “sustança”, tem que alimentar o corpo. Ora uma carne fraca não alimenta ninguém, não tem consistência e por isso há a necessidade de sempre se comer mais e mais. A carne pela carne não nutre. Um feijão, um arroz, um purê e uma salada acompanham a carne, dão a tal sustança ao prato. E continuando a metáfora percebemos que a carne é fraca por que só come carne fraca e essa carne não alimenta. Para abandonar esse ritual insaciável de gula, o homem ou a mulher só precisam encontrar, mas principalmente ser um prato de carne que alimente. E que me desculpem as mulheres que são apenas um petisco de churrasco, mas eu sou a carne que emerge de uma consistente dobradinha.



Auf wiedersehen

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Hora da faxina

Às vezes parece cansativo arrumar e muitas vezes é preciso tempo para organizar e colocar coisas em ordem. Para que seja possível “arrumar”, é preciso antes bagunçar, e foi assim, arrumando a bagunça de uma desordem recente que eu consegui encontrar muitas coisas:
Uma linda blusa que havia anos que não usava;
Uma frase solta e espontânea num rascunho de papel de guardanapo;
Um chiclete sem cor e duro, que eu joguei longe por preguiça de levar no lixo;
Um cd com a música que me levou de volta a um lugar do qual eu nunca gostaria de ter saído;
A cópia de uma carta (que sim, eu enviei!);
Uma vontade reprimida de dizer que eu amo (ainda que não saiba se é verdade);
Uma calçinha Jogê pink, porém suja;
Uma prova que teve a maior nota da turma;
Uma trabalho que não mereceu nota nenhuma (plágil total);
Uma vontade de jogar tudo que não tem significado fora;
A urgência de repor o significado que está faltando ali;
Uma camisa branca, envelhecida, que perdeu seu perfume para a minha memória;
Uma recordação de um momento bem vivido;
A saudade desse momento que passou;
Os grandes planos de fuga que tinha na infância;

As idéias que ainda não aconteceram;
A coelhinha da minha sobrinha que eu escondi dizendo que ela voltou pra revista;
As minhas melhores piadas;
As certezas que eu senti e que havia esquecido;
A minha consciência de volta no lugar que lhe pertence.
Eu.
O melhor de mim e minhas verdades, confusas ou não. MINHAS!
Eu encontrei muitas coisas e pude colocar tudo no seu devido lugar. “Devido”. Na verdade não existe uma regra para os lugares certos quando tentamos organizar esse tipo de coisa. As coisas estão sempre mudando de lugar e dependendo da fase que estamos vivendo elas passam a ter mais ou menos importância, ou seja, ganham um grande espaço ou ficam apertadinhas em caixas, quase que esquecidas...
Eu coloquei tudo nos lugares que nesse momento eu acho ‘adequados’..
Antes que eu esqueça:
Uma grande surpresa dessa faxina foi que no cantinho do fundo do guarda-roupa eu encontrei uma caixa de sapato. Abri e tirei da caixa apertada e quase que amassada uma linda coroa que tava cheia de poeira, mas que ainda tinha um brilho fantástico. Dei de volta a ela o lugar não só adequado, mas MERECEDOR para o brilho raro que ela carrega..

E em breve esse meu gesto será facilmente reconhecido.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

A cama de Luisa

Um belo dia Luisa acorda com um lado da cama vazio e já não consegue dormir. Não importa o quão tarde tenha ido para cama, não importa o quão cansada, fatigada ou inerte, o fato é que Luisa tem um lado da cama que está vazio. Ela agora só dorme do lado direito da cama, o lado que não está encostado à parede. Isso por que ele agora só dorme do lado esquerdo, tanto da cama como do peito. Ela dorme do lado direito por que sempre acorda mais cedo e levanta-se mil vezes para fazer mil coisas e volta para aninhar-se nos braços dele outras mil vezes, interrompendo o seu sono. E Luisa não consegue ficar fora da cama, por que ali encontrou um ninho, no meio de um edredon fofo e quentinho. Luisa, narrando para a sua amiga Clara, conta que os braços dele são como enormes bolas de algodão, que a cercam, afagam e deixam apoiar sua cabeça. Luisa conta ainda que a casa que antes era só dela, agora não faz mais tanto sentido sem ele e que a escova de dentes dele no banheiro é sempre uma importante lembrança da sua presença.

Felizmente, suspira Luisa, a ausência dele não é sempre constante e o vazio da cama logo é preenchido por ele novamente. Por que ele lhe disse, num desses dias quaisquer, que cada pessoa é como um porto, com um barquinho que navega livremente, mas que sempre tem esse tal porto para onde voltar. E ele sempre volta para Luisa por que Luisa é o porto dele e ele o porto dela.

Contudo Luisa não sabe aonde tudo isso vai dar. Não sabe quanto tempo vai durar, se vai durar, se vai ficar sempre assim, aconchegada para sempre nas bolas de algodão. Luisa não sabe e não quer saber. Não pensa sobre isso, não projeta, não sonha, não espera nada, a não ser aquilo que lhe chega às mãos todos os dias. A única coisa que Luisa sabe é que, por enquanto, para ele a porta da sua casa vai estar sempre destrancada, o lado esquerdo da cama e do peito também. E esse "por enquanto" Luisa quer que dure para sempre.





CRÉDITOS


A susue, minha amiga do peito esquerdo e direito. Para ela também a porta está aberta.


segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Pânico na psique! O superego sumiu!

Id: Caracteristicas atribuidas ao sistema incosciente. O id representa a porção inacessível a princípio, inconsciente, de uma espécie de repositório de emoções, lugar onde residem os conteúdos ocultos, caracterizadores do que realmente somos; É regido pelo principio do prazer e da satisfação.

Superego: Representa a censura das pulsões que a sociedade e a cultura impõem ao id, impedindo-o de satisfazer plenamente os seus instintos e desejos. É a repressão, superego é simplesmente a consciência, o que controla e limita nossas atitudes impulsivas. Pode-se afirmar que o superego é o conjunto de valores que vamos gradualmente adquirindo em nossa convivência com a sociedade. É o superego que diz o que se deve ou não fazer, se quizermos existir com o mínimo de harmonia.

Ego: O ego finalmente, é o eu psicológico, ponto de convergência entre o id e o superego. Do embate entre esses dois elementos pode nascer ou não um ego estruturado, responsável pelo hipotético ser humano estruturado que somos ( ou seríamos)...

Ok. Depois dessa maravilhosa aula freudiana eu poderia dizer que o meu superego simplesmente sumiu. Acredito que pela primeira vez ele "se deu férias" já que conscientemente eu nunca permitiria. Mas ter sumido não foi tudo, ele deixou no lugar dele o ID, que ao invés de ajudar a arrumar o que já está bagunçado, conseguiu deixar tudo fora do lugar. Ainda mais.
Não estou conseguindo entender minhas atitudes, reações e impulsos. Na verdade eu não estou me entendendo.
Simplesmente de umas semanas para cá eu tenho sentido uma enorme necessidade de gratificar as minhas necessidades de todas as naturezas e a última coisa que está me preocupando é a consequência disso tudo. Só sei que estou sendo completamente contraditória a tudo que sempre defendi como sendo o correto (como se eu soubesse o que é realmente certo) .. e estou priorizando os meus desejos imediatistas, o que é atípico da garota emotiva mais racional que eu conheço. Falar e fazer são os verbos de ação mais presentes na minha vida nesse momento. Pensar já foi. Tudo menos pensar. Sim, SiM, SIM. Só não entendo mais o "NÃO".
Bem, não sei se essa fase é uma etapa necessária para minha evolução que eu acabei pulando um dia e só percebi agora que precisava voltar nela para fechar um ciclo, não sei por quanto tempo isso vai durar, nem se existe vida depois disso, a única coisa que posso dizer é:
ID, pega o beco de volta pros quinto do iceberg do incosciente de onde tu nunca deveria ter saído porque tu deitasse e rolasse aqui e agora quem vai ter que limpar tua sujeira sou eu!!!
OBS: E quer saber, esse post não teve moral nenhuma, até porque o superego está ausente e era ele o responsável pela moral e lógica das coisas. Não estou em condições de encontrar explicações para nada!
Obrigada pela compreensão.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

A vida é um brechó - parte II

Não sei se acontece com todo mundo, mas às vezes eu tenho uma vontade imensa de me esvaziar. Tal como se esvazia um guarda-roupa, com todas aquelas coisas que você não usa mais ou simplesmente nunca usou. Uma vez tive um sonho em que eu vestia uma roupa que não agradava a alguém e esse alguém me pedia para trocar de roupa, por que essa eu já tinha usado com ele. E eu simplesmente ficava desesperada por que aquela era a minha melhor roupa e, naquele momento, a única. Foi então que, através de uma análise meio freudiana, de associações livres e, conversando com minha Susue, percebi que todos nós vestimos roupas diferentes, para diferentes ocasiões e para diferentes pessoas. E essas roupas dizem tudo sobre nós. São roupas imaginárias, mas que podem cair tão bem quanto um vestidinho preto básico, ou tão mal quanto uma calça pantalona numa mulher baixinha. Infelizmente são os outros que nos dão o parâmetro do quão boa a roupa nos ficou. E para aquela pessoa, naquele momento, a minha roupa imaginária não lhe agradava. Ele queria uma mulher fútil, fácil e fatal, eu estava vestida como uma simples garota que quer uma boa companhia, uma conversa e, quiçá, um chocolate quente.
Hoje nem sei mais onde anda esse alguém e pouco me interessa. Mas do sonho ficou a metáfora. O meu guarda-roupa está muito cheio. Cheio de roupa velha, de coisas que eu preciso desapegar, abandonar, vender, doar, queimar, fazer desaparecer, colocar num brechó. Por que uma coisa que não me sirva, pode servir a alguém e um brechó é o melhor lugar para se repassar velhos costumes.

A grande saga de Sofia

Sofia sofre. Sofre por que sente. Sofia está num grande dilema, numa dúvida da qual ela já sabe a resposta, mesmo sem admitir. Foi assim das outras vezes, vai ser assim desta também. Sofia sabe que o que sente é fruto de algo que lhe é natural. Quando se apaixona, se incomoda. Por que para Sofia estar apaixonada é sentir 10 vezes mais, é elevar à décima potência qualquer sentimento, por mais simples e banal que seja. E é por isso que Sofia, tão reticente, evita a paixão. Por que já se deixou tomar por ela várias vezes e todas as vezes com intensidade suficiente para fazê-la sofrer em vão. Sofia não se se é só com ela que isso acontece, ou se com todo mundo é assim o que ela sabe é que o bom mesmo é somente gostar. É isso que pensa Sofia. Gostar está bom que chegue, dá que baste, para se manter uma relação. Mais que isso é soberba. Mais que isso é excesso e o que é excesso ou mata ou engorda. Sofia quer permanecer magra, e viva de preferência. Estar apaixonada é se incomodar com tudo. Tanto o bom quanto o ruim tomam as mesmas proporções e o que é bom é ótimo, o que é ruim é muito mais que péssimo. Tudo muito sem motivo. Somente pelo simples fato de que Sofia sente e sofre por que sente demais. A grande saga de Sofia, a sua grande missão, é evitar que essa paixão tome conta de si, por que é demais e ela não aguenta. Nunca aguentou. Sofia não quer mais se incomodar. Quer só gostar, como quem gosta de morangos: gosta, mas vive sem, não morre por eles nem faz tanta questão se não houver na sobremesa. Sofia quer só gostar e só ter isso mesmo pra sentir e não discutir, não se abalar. Um dia na praia, uns raios de sol, só gostar, devem ser o bastante e é pra isso que Sofia acorda todos os dias. Só para gostar.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Qual é a hora?

Amélia não consegue colocar o fogão pra funcionar. Já chamou o porteiro, o encanador. Já leu e releu o manual e o gás continua escapando sabe-se lá por onde. Todos os tubinhos, os encaixes, os canos, tudo no devido lugar. Amélia já usou a esponjinha com sabão, mas o vazamento não se acusa e Amélia continua, abusada e obtusa, sem conseguir ligar o fogão. Qual é a hora de Amélia simplesmente deixar de cozinhar?


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Elisabete sentou-se na cama, tarde da noite, catou todas as notinhas de contas de cartão para fazer suas contas. Ela estava adiando esse momento, esperando a vida dar uma guinada incrível e tudo se reverter. Mas chegou a hora de realmente colocar as contas no papel. Tudo em 4, 6, 10, 12 vezes sem juros no cartão. E não acabam nunca. E ainda aluguel, condomínio, feira, farmácia, consertos do carro. Tudo muito caro. Do dinheiro que ela tem, nada sobra e ainda vai faltar. Qual é a hora de Elisabete se desesperar?


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Marina tem a casa toda bagunçada. Móveis por montar, plantas morrendo, louça por lavar. As toalhas espalhadas pela casa, o tapete do banheiro todo molhado. Milhares de pastas e cds espalhados pelo chão da sala por que o rack não está montado. Qual é a hora de Marina organizar a vida e depois se organizar?


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Maria Alice tem um namorado, todo carinhoso, com quem ela passa o final de semana inteiro deitada na cama, conversando potoca, sem hora pra dormir de novo ou acordar de novo. Maria Alice encontrou esse namorado sem nem procurar por um, desmentindo o ditado que diz que quem procura acha. Qual é a hora de Maria Alice se deixar levar de vez, sem reticência e sem reticências?


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Fernanda está num dilema: olha dentro dos olhos de quem gosta e somente diz que gosta quando na verdade sente bem mais que isso. E volta a olhar nos olhos, a afagar, dar carinhos e beijinhos, a abraçar como se fosse a última vez, só para medir a intensidade do sentimento. Chega a não ligar, nem dizer nada, por que também precisa medir o quanto sente falta. Qual é a hora de Fernanda dizer que ama, em vez de dizer que gosta?


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Abigail tem mil projetos, mil sonhos, mil coisas que quer concretizar. Mas está perdida e sem tempo. Sempre teve mamãe do lado pra guiar e agora não tem mais. São tantas idéias, tantas, que não dá pra controlar. O cérebro não pára. O corpo pára e Abigail cai no meio da rua, assim, do nada. Qual é a hora de Abigal sentar e fingir, por um momento, que nada existe, para que ela possa descansar?



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Raquel não tem tempo. Nem pra si, nem pra vida, nem pra nada. Ela não fica parada. Corre de um lado pro outro e não chega a nada. Que satisfaça. Qual a hora de Raquel parar o próprio relógio? O relógio não pára.







Auf wiedersehen.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

A vida é um brechó

Um brechó cheio de coisinhas interessantes.
Pra se achar alguma coisa que preste em brechó (e quando eu digo brechó é daqueles cheios de coisas de vó mesmo, não as lojas caras e chiques que simulam esses ambientes) é preciso procurar muito. Andar pela Rua do Aragão, por horas, perscutando cada um daqueles buracos escuros, entrando em todas as lojinhas, falando com aquelas vendedoras tão engraçadas, que soltam palavrões reclamando de alguém que passou calote, ou simplesmente correm atrás de você querendo vender "esse sofá praticamente novo, de uma dona de Boa Viagem, que só precisa trocar todo o estofamento, mas que pra você eu faço um precinho especial".
Em brechó a gente encontra poltronas, almofadas, candelabros, mesas, vestidos, broches, perucas, telefones que não funcionam, globos estroboscópicos, bancos, televisões sem antena, geladeiras, sapatos, sonhos, projetos, frustrações por que nem tudo a gente pode comprar e, na verdade, a maioria das coisas a gente não pode comprar. Por que brechó é tudo, mas tem um problema: não divide em 10 x sem juros no hipercard.
Como metáfora para a minha vida, ela agora é um brechó. Vivo cantando coisas que possam me trazer dinheiro e agora meu quarto é um verdadeiro brechó, cheio de roupas que não dão mais em mim ou que eu não uso, ou roupa com as quais eu tenho um apego emocional forte, que teve que ser destruído, por que as contas estão chegando e é preciso pagá-las. O namorado também foi um achado, não num brechó, mas quase isso: num buraco escuro cheio de mulheres com pó de arroz.
No brechó que é agora a minha vida, a sorte do orkut sempre me diz a verdade: é hora de inovar, com criatividade, eu vou receber uma herança, minha vida vai mudar completamente. A minha casa ta quase pronta, com coisas de brechó e eu tenho outros tantos negócios para fazer.


Auf wiedersehen.





Ps: não deixem de visitar o brechó que eu e as garotas fizemos: www.comquelayouteuvou.blogspot.com

domingo, 31 de agosto de 2008

Lei da atração X Lei de Murphy : A batalha

Lei da atração:"O mundo é o resultado. Nós que criamos tudo a partir dos nossos pensamentos."
Ok. Não quero falar muito sobre o que significa a lei da atração ( O segredo), porque tenho certeza que já está tão comercializado que até o DVD você encontra em qualquer camelô do centro.

Lei de Murphy: "se alguma coisa pode dar errado, com certeza dará"

Ou seja, a rainha da lei da atração é irmã da Mrs. Murphy.
É difícil colocar em prática toda a minha sabedoria quando dorme ao meu lado, a pessoa mais pessimista da face da terra ( ainda bem que EU sou extra-terrena...)
Se eu digo algo pra ela, ela com certeza irá pensar em todas as possibilidades do "NÃO" daquela coisa, independente do que seja, por exemplo:
- Vou tomar banho.
- Vai logo porque é capaz de faltar água quando tu tiver lavando o cabelo.
Isso quer dizer que QUALQUER COISA que eu diga ou que acontece, ela virá com sua maré de frases negativas e deixando claro que se está ruim, não se preocupe que poderá piorar.
São muitos detalhes lineares que nem sempre são necessários para minha tão dispersa e complexa mente. Sou feliz as vezes com um bombom, mas ela vai certamente me lembrar que posso engordar ou ganhar uma cárie com ele.
É complicado... Eu tento ser a maior discípula de Rhonda Byrne mas as vezes não tem como não ser contagiada com esse lado oposto.
As vezes eu chego em casa e digo:
-Vou dormir só um pouquinho antes de ir pra faculdade.
-Cuidado pra NÃO dormir muito e acabar perdendo a aula!
E ai eu perco mesmo a aula. É, as vezes ela está certa. Murphy tem sua força... E isso a deixa sempre no alerta, para evitar sofrimento ou decepção, essa atitude é na verdade uma tentativa de proteger você mesmo e também quem você ama. Mas eu continuarei sorrindo e dizendo "SIM" pra todas as coisas e para todas as pessoas... Sei que as vezes devemos parar para ter atenção, mas eu opto por prosseguir naquele mesmo sinal que está sempre verde pra tudo, e isso minha grande amiga extra-ordinária conhece muito bem...
Eita, abriu!
Fui!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Silogismo

Um silogismo é uma conexão de idéias, um raciocínio. É um termo filosófico com o qual Aristóteles designou a argumentação lógica perfeita, constituída de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que a partir das primeiras duas, chamadas premissas, é possível deduzir uma conclusão. Num silogismo, as premissas são um ou dois juízos que precedem a conclusão e dos quais ela decorre como consequente necessário dos antecedentes, dos quais se infere a consequência. Um exemplo clássico de silogismo é o seguinte:

Todo homem é mortal.
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.

Decidi colocar em prática o silogismo e ver até que ponto ele pode ser verdadeiramente enriquecedor da experiência humana de tirar conclusões corretas a partir de deduções tão sensatas. E deu nisso.

Nível básico de silogismo:

João tem pés.
A galinha tem pés.
Logo, João é uma galinha.

Nível mais avançado de silogismo:

Vingança é um prato que se come cru.
Prato cru geralmente é frio.
Logo, vingança é um sushi.

É, o post foi só pra desafiar Aristóteles. E agora Totinho, chupa essa manga!

 


Auf wiedersehen.