quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Silogismo

Um silogismo é uma conexão de idéias, um raciocínio. É um termo filosófico com o qual Aristóteles designou a argumentação lógica perfeita, constituída de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que a partir das primeiras duas, chamadas premissas, é possível deduzir uma conclusão. Num silogismo, as premissas são um ou dois juízos que precedem a conclusão e dos quais ela decorre como consequente necessário dos antecedentes, dos quais se infere a consequência. Um exemplo clássico de silogismo é o seguinte:

Todo homem é mortal.
Sócrates é homem.
Logo, Sócrates é mortal.

Decidi colocar em prática o silogismo e ver até que ponto ele pode ser verdadeiramente enriquecedor da experiência humana de tirar conclusões corretas a partir de deduções tão sensatas. E deu nisso.

Nível básico de silogismo:

João tem pés.
A galinha tem pés.
Logo, João é uma galinha.

Nível mais avançado de silogismo:

Vingança é um prato que se come cru.
Prato cru geralmente é frio.
Logo, vingança é um sushi.

É, o post foi só pra desafiar Aristóteles. E agora Totinho, chupa essa manga!

 


Auf wiedersehen.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Homenagem

Por que eu li o texto de Anninha e me inspirei.

A gente só pode ficar (no sentido de permanecer presente) com alguém que faça a gente se sentir diferente da forma como a gente se sente quando está com qualquer outra pessoa. E isso serve pra tudo: pras amizades, pra família e pro amor.

Eu fico com a minha mãe por que ela me traz aquela sensação de que o amor não pode ser maior que aquilo, por que não caberia no coração.
Eu fico com a minha irmã Aimara por que ela foi e sempre será aquele bêbê que eu dei banho como se fosse uma boneca viva.
Eu fico com o meu pai, que às vezes, raramente, me liga só pra saber como eu estou e fala, com aquela voz melosa, como se eu fosse ainda uma criança.
Eu fico com a minha amiga, Susue, que até os defeitos eu acho graça, que me abraça tão apertado e fala que me ama, assim como eu amo Susue também.
Eu fico com as minhas avós, que vêem na eterna servidão aos netos, a maior demonstração de afeto e amor que alguém pode dar.
Eu fico com meus amigos de trabalho, que são amigos de verdade, com quem eu sei que posso contar, seja pra fazer um capuccino, me trazer uma água ou simplesmente me prometer que vão pintar minhas paredes.
Eu fico com minhas tias, sempre prestativas, que não medem esforços pra me ajudar, que me divertem e me amam como se eu fosse filha.
Eu fico com minha quase mãe Myrna, por que ela é um doce em pessoa e eu já acho graça de chegar em casa e ela estar sempre no  telefone.
Eu fico com Anna Terra por que ela tem o maior e mais sincero sorriso que eu conheço. E não é exagero.
Eu fico com Zeli, a boadrasta que é bem mais que isso por que é uma amiga verdadeira pra todas as horas.
Eu fico com quem prefere dormir comigo do que com muitos travesseiros.
Eu fico com alguém que deixe meu dia mais leve.
Eu fico com alguém que sempre me dê uma luz verde para tudo.

Eu fico com o amor, seja pra quem for.


Auf wiedersehen.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Pequenas histórias - Parte II

O GARÇOM

Num boteco qualquer.
- Ei! Tio!
- Opa minha filha!
- Eu quero uma água mineral, por favor.
- Não temos água mineral.

(como assim um bar não tem água mineral????)

- Hummm...então me traz um guaraná antárctica, tem?
- Só tem Kuat.
- Humm, então uma coca, normal.
- Só tem light.
- Então uma fanta.
- Só tem uva.
- É...então traz aquelas pedrinhas
de gelo espertas, que eu deixo derreter!


O PORTEIRO

Num prédio vigiado por umas 50 câmeras,
dois indivíduos se beijam.
Alcides, o porteiro, chega sorrateiramente
e na maior cara-de-pau:

- Boa noite.
- Boa noite. Diz o casal meio encabulado.
- A partir das 11 da noite não pode namorar
no prédio. Ordens do síndico.
- Ok. Não namoraremos mais.

Por que no dito prédio não se pode conversar
também, e duas pessoas não podem ir ao banheiro,
ainda que em banheiros separados, e também não se
pode marcar churrasco na piscina por que, ou churrasco,
ou piscina. A única coisa que se pode no prédio é organizar
comício estudantil do partido verde. Só coisa assim, bem
sem graça, bem de quem, tal como o síndico, não tem nada
mais empolgante pra fazer.


Auf wiedersehen.

Pequenas histórias

O TIO ALEMÃO

- Mamãe, posso chamar seu namorado alemão, de tio?
Pergunta a menina de 3 anos.
-Ôh filha, pergunte pra ele se pode. Eu acho que alemão
não gosta de ser chamado de tio. Isso é coisa aqui do Brasil.

- Andreas (o alemão), posso te chamar de tio?
Pergunta a menina.
- Não sou seu tio. Responde ele.

- Filha, coma seu almoço. Vá, coma minha filha.
Diz a mãe num dia qualquer.
- É filha, coma seu almoço querrida.
Completa o namorado alemão.
- Você não é meu pai.
Responde a pequena.

OS DEDOS

- Andreas, o que quer dizer isto?
Pergunta a mãe para o namorado alemão, fazendo um sinal
com o dedo indicador e o médio levantados.
- É um V de vitória?
- Não.
- É Paz e Amor?
- Não.
- Então não sei o que é!
- São dois dedos.


- Loli, o que quer dizer isto?
Pergunta o namorado alemão à menina de 3 anos,
fazendo um sinal com o dedo indicador e o médio
levantados. Sem exitar, a menina responde:
- Dois dedos!

Criança é foda.


Auf wiedersehen.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Tem dias que a noite é foda


Alguém me disse essa máxima que define qualquer coisa que possa acontecer entre o dia e a noite de um ser humano. Apesar de ser nome de música de duplinha-pop-sem-graça (K-Sis), a frase tem seu mérito. E por isso mesmo, virou título de post. Tem dias que a noite é foda.

no outro dia a gente acorda com sono
ou a gente simplesmente não dorme.
no outro dia bate aquela dor de cabeça
por que a gente simplesmente perdeu a cabeça.
no outro dia tem um despertador insuportável tocando
e a gente não acerta o botão pra desligar.
no outro dia todas as vodkas ainda estão no sangue
ou a gente vê que nem tem mais sangue mesmo.
no outro dia são copos e mais copos de água
e idas e mais idas ao banheiro.
no outro dia a gente vê que gelo nem faz tanta falta
ou que cachaça não é tão bom assim.
no outro dia a gente não come por que o estômago não aguenta
ou por que a gente quer permanecer em forma.
no outro dia a gente toma um banho pra lavar a alma
sem querer que o cheiro da noite saia.
no outro dia a gente não quer que o outro dia chegue
ou que o dia que a gente está fique parado ali mesmo.
Mas a gente percebe que as estruturas cronológico-temporais
não podem ser mudadas.
E aí vem a noite de novo. E essa sim, é foda.



CRÉDITOS

À Cachaçaria Carvalheira pelo rockzinho legal.
A Mauro que me deu o ingresso.
Ao meu pai por eu ser publicitária e ir pra festas de beber de graça.
A quem me acompanhou, que me faz rir com suas besteiras.


Auf wiedersehen

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Um drama à parte

Tem dias que a gente acorda e percebe que falta um monte de coisa que não era pra faltar. Que o diga Mauro, que me acompanhou numa jornada desenfreada pelos brechós desse Recife de nossossinhô. Catando as coisas mais baratas, descobrimos que, de fato, brechó barato é ilusão. Até que encontramos seu Severino, Sev para os íntimos. Ele tinha tudo barato, inclusive uma linda poltrona de bolinhas que seria a minha próxima aquisição. E foi, de ontem para hoje, sonhando com a poltroninha e colocando as contas num papel, que eu me daparei com o monte de coisas que faltam e que não eram pra faltar. E eu nem falo da minha lista de chá de panela!


Falta dinheiro, muito dinheiro.
Falta a poltrona e o sofá.
Falta mais açaí na praia, dia de domingo.
Falta um amor de verdade.
Falta um tenis novo.
Falta um pouco de sensibilidade no mundo.
Falta paciência pra cliente chato.
Falta tábua pra tanto prego.
Falta minha mãe.
Falta meu pai.
Falta vontade pra estudar.
Falta aquelas almofadas lindas que eu vi.
Falta a gente montar nosso negócio do Toy Art, Mauro.
Falta vodka com redbull todos os dias.
Falta meu carro parar de encher meu saco.
Falta um pouco de coragem.
Falta um bocado de lucidez.
Falta um tanto enorme de sensatez.
Falta meus amigos irem no meu chá de panela.
Falta o aumento no final do mês.
Falta um pacotinho de m&m's todos os dias.
Falta aquele abraço apertado todas as noites.
Falta tempo pra caramba.
Falta um monte de coisas que já nem dá pra contabilizar.

Mas a gente sabe que falta tudo, mas não falta uma risada pra fingir que está tudo bem. Falta menos ainda a possibilidade inédita de curar todos os males e dramas humanos comendo um farto e calórico Duble Cheese no Mac, enquanto passa um negão lindo, estilo rapper americano, com uma pochete ridícula e Mauro, na minha frente, fazendo palhaçada com um canudinho.





Ah, visitem o site dele: www.maurobello.blogspot.com


Auf wiedersehen.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Chá de Panela


PARA QUEM FOR PODRE DE POBRE

1 VASSOURA
1 PÁ PEQUENA COM VASSOURINHA PRA CATAR O LIXO
1 PIAÇAVA PARA BANHEIRO
1 ESFREGÃO
1 BALDE PARA ESFREGÃO
1 JOGO VASILHAS PLÁSTICAS (DIVERSOS TAMANHOS)
JOGO DE TOALHAS DE ROSTO (LISAS, DE CORES VIBRANTES!)
3 TOALHAS DE BANHO (LISAS, DE CORES CLARAS)

3 JOGOS DE LENÇOL E FRONHA PARA CAMA DE CASAL (1 JOGO POR PESSOA NÉ)
1 ESCORREDOR DE PRATO GRANDE
1 PORTA ESPONJA E DETERGENTE DE COZINHA
1 EDREDON BEM GOSTOSO COLORIDO
1 PORTA ESCOVA E PASTA DE DENTES
1 PACOTINHO DE PEGADOR DE ROUPA DE PLÁSTICO
1 FRIGIDEIRA PEQUENA DE TEFLON
1 GRELHA METÁLICA PARA ASSAR PÃO
2 COLHERES DE PAU (PEQUENA E MÉDIA)
1 JOGO DE COLHERES DE PLÁSTICO DE TIRAR A COMIDA DA PANELA (DIVERSOS FORMATOS)
2 JARROS DE VIDRO PARA COLOCAR ÁGUA
3 CAÇAMBAS DE GELO, DE PLÁSTICO
1 VODKA SMIRNOFF E 4 LATINHAS DE REDBULL
1 JOGO DE COPOS DE VIDRO OU PLASTICO COLORIDOS, LISOS, GRANDES
1 CUADOR DE CAFE
1 TABUA DE PASSAR ROUPA
1 JOGO DE TALHERES, DAQUELES COM CABO DE PLASTICO MESMO
1 PORTA AZEITE,VINAGRE E SAL
CAIXAS GRANDES TIPO GAVETÃO, DE PLASTICO
2 ALMOFADAS ROSA CHOCK NA PROMOÇÃO POR R$ 9,90 CADA, NA TOKSTOK
2 ALMOFADAS AZUL TURQUESA NA PROMOÇÃO POR R$ 9,90 CADA, NA TOKSTOK
1 TÁBUA MÉDIA DE CORTAR CARNE, DE PLÁSTICO
1 ACENDEDOR DE FOGÃO (AQUELES COM ISQUEIRO)


PARA QUEM FOR PODRE DE RICO OU QUISER FAZER COTINHA

1 LEITOR DE DVD
2 BANCOS DE BAR, AQUELES ALTINHOS, DEVE SER UNS R$ 30,00 NA CIDADE!
1 FERRO DE PASSAR ROUPA
1 LIQUIDIFICADOR
1 POLTRONA QUE EU VI NUM BRECHÓ NA CIDADE, APENAS R$ 150,00 !!! BARATÍSSIMO
1 SOFA QUE EU TAMBÉM VI NUM BRECHÓ NA CIDADE, APENAS R$ 180,00!!! UMA PECHINCHA!

DINHEIROOOOOOO, MUITO DINHEIROOOOO!!! HAHAHAHAH
1 BILHETE PREMIADO DA MEGA SENA.


OBSERVAÇÕES IMPORTANTES:

1. a lista poderá ser aumentada a qualquer momento
2. cada pessoa me dá um ou mais presentes, nada de um casal me dar uma vassoura se não é pirangagem demais!!! hehehehehe
3. As coisas plásticas são em cor verde alface tá gentem!!
4. Os presentes que aparecerem grifados é por que alguém já vai me dar. =)





É isso. Por enquanto.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

A ponte




Eu estou diante de uma ponte de madeira que balança insegura sobre um abismo. O final da ponte não se vê, muito menos o que está do outro lado. Onde eu estou é seguro. Atrás de mim estão todos aqueles que dependem ou cobram de mim seja o que for, mas que, principalmente, não querem que eu atravesse a ponte. Contudo, para eu atravessá-la, são me impostas três condições: colocar duas pesadas asas sobre as costas, não levar ninguém comigo na travessia e cortar as cordas que sustentam a ponte quando chegar ao outro lado, para que ninguém me siga. Por que o que está do outro lado só pertence a mim. Porém não é fácil pagar tão caro para ver o que há depois do abismo. Eu tenho as asas que, apesar de asas, são pesadas. Eu tenho uma ponte que não sei onde vai dar e tenho a culpa espremida, junto com as minhas coisas, pesando dentro da bolsa. Seria pedir demais que a ponte fosse o caminho de volta ao útero materno? Seria pedir demais que eu voltasse a ser só, sem erros nem acertos, uma residente adormecida de uma barriga quentinha? Eu quero atravessar a ponte e quero ir para tão longe que ninguém me alcance.



CRÉDITOS

À minha mãe que tinha o melhor útero do mundo.
A ela novamente por ser a única que apóia a minha travessia.



Auf wiedersehen.

A valsa

Para se dançar uma valsa, dois.
Para que essa valsa faça sentido, alguns acordes.
Para que tenha ritmo, alguns passos.
Para que tenha leveza, uma mão na cintura outra no braço.
Para que tenha firmeza, um homem que guie.
Para que tenha intensidade, olhares.
Para que acabe, aplausos.



Auf wiedersehen.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Era uma vez ... Duas vezes... Três vezes...


Que a mesma história se repetia... E de tanto se repetir, a linda princesa pronta no seu vestido com laços e muito brilho decidiu não sair mais de seu castelo pois tinha medo de encontrar príncipes falsos ou perdidamente apaixonados que viraram sapos após o efeito da paixão que passava. Ela se protegeu e resolveu se ocupar com o jardim do seu reino, acreditava que cuidando daquelas flores as borboletas viriam com mais frequência e ela estava certa!
As borboletas vieram e com elas uma nova pessoa.. Ele tinha tudo para ser um príncipe e mesmo sem ter dito que sim, ela acreditava que no fundo ele realmente era. E ele morava bem ali, ao lado do reino dela, mas ela fazia tantos passeios e viagens que nunca havia percebido. Esse príncipe conheceu seu castelo e também convidou-a a conhecer seu reino. Fizeram muitas coisas divertidas juntos e adoravam estar na companhia do outro... De uma inocente e inesperada amizade nasceu a segurança e o conforto de sonhar novamente com o amor verdadeiro e recíproco, o construído progressivamente, aos poucos, como mexer um mingau de aveia.
Mas num belo dia, porque nos contos todos os dias são belos, a princesa saiu para dar um passeio e ao se aproximar percebeu que avistava de longe o seu querido beijando a feiticeira e foi então que a princesa parou e sentiu-se em choque com a cena.
A princesa voltou pra seu lar atônita e muitas coisas foram passando pela sua cabeça, inclusive todo o filme desse conto que tinha se tornado a sua vida, mas de tudo que ela pensou houve uma coisa que de todas foi a mais sensata que ela conseguiu concluir:
Não é culpa das bruxas, dragões, sapos ou feiticeiras;
O castelo não a protegeu de ser invadida por sonhos, ilusões e falsas esperanças;
Nunca teremos certeza de quem realmente são as pessoas que fazem parte da nossa vida, nem mesmo as que frequentam nosso castelo;
A vida não é um conto de fadas, logo, príncipes não existem. Nem com cavalos nem sem eles. Sendo assim ela nunca foi uma princesa. Por isso, de tão desapontada, ela tirou a coroa.
Mas isso definitivamente não foi o mais difícil de aceitar. O difícil são os inúmeros fins da mesma história, é a falta de confiança e a insegurança que os outros têm em se envolver, em manter por muito tempo uma história bonita.
Na vida real tentar usar uma coroa é parecer ridículo. O que chama atenção e desperta o interesse são o brilho das "armaduras". Quanto mais brilhar a armadura mais interessante será a pessoa, porque o valor dela e o tanto que se conhece dela está ali, só do lado de fora. E isso basta para muitos.
No caso da princesa que deixou de ser e se viu no mundo real, ela tem 2 opções:
Continuar acreditando ( guardar a coroa);
Ou tirar o vestido, os sapatos e assim como a maioria, vestir-se com a armadura.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O beijo - clique para ler.

terça-feira, 22 de julho de 2008

O Curinga


O Curinga é uma carta do baralho que vale por todas as outras e tem o poder de assumir qualquer valor. Cada baralho é composto de 52 cartas e em cada um existem quatro Curingas que podem aparecer espalhados ou concentrados nas mãos dos jogadores. É o um trunfo na manga, é o fator surpresa, é o triunfo da esperteza sobre a inteligência e por isso, muitas vezes, é descartada do baralho. O Curinga simplesmente fica de fora do jogo, sorrindo da ingenuidade alheia, debochando do fato de que só ele não segue regras e estar fora do baralho é consequência disso. O Curinga, portanto, pode ser a carta mais importante e mais desejada de um jogo, mas nem sempre a melhor, por que é a carta mais injusta e mais insensata. Ele é a personificação do incorreto, a certeza de que há males que vêm para o mal mesmo. Mas isso não faz do Curinga um vilão, ou da carta a necessidade de ser descartada. Isso faz do Curinga um espelho da fraqueza humana, da corrupção e de como se pode ganhar um jogo sem fazer nada de bom nele, por que o Curinga também ensina que 48 cartas do bem não valem nada se no meio do jogo existem 4 cartas do mal, ainda que sejam apenas quatro. E de tudo isto se tiram várias lições:

A bondade não existe sem a maldade
Para existir maldade basta apenas existir alguma coisa
Para existir a bondade precisa existir muita coisa
A maldade é gratuita
A bondade é opção
A vida é um jogo com mais de quatro Jokers
O jogo não acaba e não existem vencedores
A insensatez faz parte do jogo
O trunfo muitas vezes tem que ser descartado
O maior inimigo é o mais próximo
Os heróis seguem muitas regras
Os vilões não seguem nenhuma
Os trouxas seguem a emoção
Os idiotas fazem blef para si mesmos
Um erro condena o que cem acertos não salva
Um erro condena o que cem acertos não salva
Um erro condena o que cem acertos não salva



Créditos

Ao Curinga por ser mau e ser tudo.
Ao jogo que infelizemente tem que ser jogado.
Ao Curinga que é tudo, mas está fora do baralho.




Auf wiedersehen

A vontade

A vontade de avançar é maior que a de recuar.
A necessidade de recuar é iminente.

A vontade de abandonar é maior que a de investir.
A necessidade de investir é a que se impõe.

A vontade de prender é maior que a de libertar
A necessidade de libertar é a que sobra.

A vontade de fugir é maior que a de ficar
A necessidade de ficar é a que impera.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Sebastião

Sebastião era um homem amargo, pouco sexo, muito cigarro. Fumava dois maços por dia, bebia cinco cafés, três conhaques e uma pinga. Comia cachorro-quente e porcaria. Não bebia água, não comia fruta, não corria. Cultivava uma barriga de 9 meses sem ninguém lá dentro. Morava só, num quarto alugado sem ninguém à espera. Almoçava sozinho sem ninguém do lado. Tinha no pulmão um cinzeiro empoeirado. Tinha no lugar do coração um buraco desabitado.

Natasha

Nathasha era doce e era bela. Da sua cabeça pendiam longos, pesados e lisos cabelos pretos. Ela tinha um jeito todo especial de andar, de sorrir, de atender o telefone e até de fazer, com os dedos, movimentos circulares constantes à volta do copo em que bebia. Suas unhas sempre perfeitas, seu cabelo sempre penteado, suas faces sempre rosadas, seus olhos sempre delineados, sua boca sempre molhada, denunciavam que Natasha estava sempre cuidada. Mas Natasha não era somente doce e cuidadosa, era cautelosa, precavida e segura, sempre. Natasha nunca perdia o controle.
Um dia, ao envolver-se como o seu vizinho, um príncipe encantado que em vez de a cavalo chegou à sua porta de elevador, Natasha tomou todas as precauções para que este relacionamento desse certo. Entre beijos, vinhos, queijos e risadas, Natasha sempre ponderava cada um dos passos que dava, como uma dança ensaiada. As coisas andavam no compasso certo. Natasha jogava o charme, junto com os cabelos, tirava o corpo, jogava o beijo e assim o vizinho ia perdendo o controle que Natasha agora tomava como seu. Lá do alto da sua doçura, da sua cautela, da sua candura, lá do alto do seu controle, do seu pudismo, da sua timidez, lá do alto Natasha levou um tombo. Entre beijos mais quentes, presa entre os braços do seu vizinho, Natasha perdeu o controle quando o dito cujo largou o vinho, segurou-lhe a perna e deslizou sua mão da coxa ao calcanhar dela. Natasha toda tremia, meio surpresa, meio perdida, com as forças findas e a boca fria. Do alto de todas as suas precauções e de todas as suas cautelas, Natasha a bela, paralisava todo o seu corpo diante do seu enorme deslize: não havia depilado as pernas.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Se tornando amigo da sombra

Os últimos acontecimentos da minha vida me fizeram refletir sobre várias coisas.
Mais uma vez me descobri desconstruindo um sentido que havia amarrado e guardado
dentro de algum lugar onde se guarda coisas que não nos permitimos esquecer.
“Desconstruir” sentido significa o mesmo que matar uma ideologia, e muitas vezes quando isso acontece você passa por um processo que se chama “reconhecer a sombra”.

A sombra é o mais poderoso de todos os arquétipos já que é a fonte de tudo que existe de melhor e pior no ser humano.A sombra representa tudo que foi suprimido, o lado negligenciado ou não escolhido, aquele que poderia ter sido vivido e não foi. Neste sentido a sombra está sempre ao lado do indivíduo e focaliza o resultado das suas escolhas.
Normalmente, reconhecer a sombra implica em “arrumar encrenca” e colocar em questionamento toda a consciência de si: os hábitos, crenças, valores, afetividade, etc.
É um mergulho no desconhecido, é ficar sem chão, é perder o apoio.
Quem nunca se sentiu assim? Quem nunca passou por essa experiência? Se tentou evita-la, saiba que quando ela conseguir emergir ela virá com uma força esmagadora, e você não terá como controlar e dificilmente saberá como lidar com isso, o melhor a fazer é olhar para si e assumir o resultado das decisões que não foram felizes em alguns momentos da nossa vida, e a partir daí, reconhecer o aprendizado da situação e agir da melhor forma não se culpando pelas coisas que não saíram como você esperava.
Sempre que ouço as pessoas falarem de problemas e dizerem:
“Eu errei”. Ou mesmo: “Você errou”.
Eu penso:
O que é um erro? O que é certo ou errado?
Eu não acredito em erros. Chamar de erro atitudes e decisões que tomamos ao longo de nossas vidas é a forma que encontramos de nos punir ou punir aos outros quando o resultado não é feliz, porque é nisso que eu acredito. O que nos faz bem ou não, o que nos faz feliz ou não, acredito que sempre fazemos o que achamos ser o melhor em cada momento e isso depende de como estamos e de tudo que nos rodeia em todos os aspectos da nossa vida, não dá pra simplesmente pensar que se tivesse tido mais amadurecimento e sabedoria na altura dos acontecimentos os “erros” poderiam ter sido evitados. Pensar assim é deprimente e não acrescenta nada. Cada um tem seu tempo e sua velocidade, é muito relativo, assim como é relativo o próprio conceito de certo e errado. (Às vezes o que parece ser certo para você pode ser completamente errado para outra pessoa)...
Alcançar a sabedoria e a maturidade não é não errar, na verdade é entender que erro não existe e que o que fazemos é tentar o que achamos ser o melhor que podemos, e se depois isso causar decepção, é conseguir entender que você tentou o que achou ser possível.
Lembrem-se que nunca seremos perfeitos nem para nós mesmos nem para os outros mas nada nos impede de tentarmos ser cada vez melhores.
Por esse motivo que venha a sombra e a luz de todas as reflexões que ela precisar trazer!
Que elas sejam apenas uma ponte para o outro lado, onde colhemos as lições de tudo o que passamos e que consideramos importantes para o nosso crescimento.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Um PS

Post Script: cheguei hoje na agência e dei de cara com um bilhete suspeito colado no meu mac. Estava escrito com caneta preta, de tinta permanente dessas que se escreve em CD. É um post it amarelo da livraria Saraiva que diz assim: "Carol, você é linda e magra! Beijosmeliga. Seu admirador secreto." Ainda estou tentando descobrir quem é.


Auf wiedersehen.

Um dia é preciso escrever coisas felizes

Todo o texto feliz ou emocionante geralmente começa com “existem coisas na vida” e assim o texto prossegue. Com este texto não poderia ser diferente por que, de fato, existem coisas na vida que fazem com que ela valha a pena, por mais piegas que isto possa parecer. A gente tem que passar por aqui para saber como é sentir tanta coisa junta. E eu sinto algumas que são assim:

Dormir abraçado em baixo de um edredon, numa cama cheia de almofadas, parecendo um ninho, com uma pessoa tão especial que faz-nos sentir parados no tempo e presos para sempre nos lençóis. E dessa prisão nenhum dos dois querer sair.

Passar a madrugada conversando qualquer coisa, deitada numa cama, olhando nos olhos quem a gente quer bem, sem que no outro dia seja preciso ir trabalhar. Sem que dia nenhum da nossa vida seja dia de ir trabalhar.

Dar risadas bem altas ao fim da tarde, na praia, com a melhor amiga, olhando para o mar, correndo na areia, num dia de domingo, com a praia vazia. E o sol simplesmente nunca se pôr.

Acordar com mamãe, à beira da cama, fazendo carinho no meu rosto, nos meus cabelos, dando beijinhos e imitando os passarinhos para eu acordar. E sempre ter a sensação de que não existe amor maior que esse.

Andar descalça pela casa, com uma blusa comprida, calcinha de algodão bem confortável e um copo cheio de morangos com leite condensado. E saber o que é doce de verdade.

Ver a chuva cair lá fora e estar aqui dentro, quentinha, ouvindo um fado, pensando em nada, pensando em tudo, dormindo ou simplesmente deitada. E ver que ainda é sábado e que o final de semana não acabou.

Abrir um livro e encontrar uma antiga carta de amor que foi escrita, mas não foi entregue e perceber como o amor e o sofrimento se repetem sempre, quase com a mesma intensidade, mas com formas de descrever diferentes. E ver que de uma narrativa para a outra só mudam os personagens.

Adormecer na cama do meu pai enquanto ele dá beijinhos na minha mão e fingir que ainda não acordei só para ele continuar a mexer nos meus cabelos e dizer no meu ouvido “amo tu”. E ter medo de um dia perder isso.

Tomar um banho muito quente, de deixar a pele vermelha, sair enrolada na toalha e deitar na cama e assim dormir, de toalha, mas com alguém do lado. E deixar que esse alguém sinta o cheiro do seu pescoço.

Acordar com o rosto amassado, os olhos inchados, o cabelo despenteado, o pijama todo torto no corpo, e se espreguiçar demoradamente e perceber que tem um cachorro lindo lambendo o seu dedão do pé. E achar que baba de cachorro é o máximo.

Pegar aquele bebezinho no colo, dar mamadeira, colocar para dormir, fazer massagem para cólica, dar beijinhos na barriga, apertar o bumbum, fazer palhaças, mesmo quando ele não é seu. E ver que se fosse seu, você seria a melhor mãe do mundo.

Comer crepes de chocolate com quem nos faz bem, por que um crepe de chocolate só se divide com quem se gosta. E saber que essa pessoa também gosta de nós em algum momento.



CRÉDITOS

Aos crepes de chocolate.
A mamãe por ser tudo.
Ao meu pai por ser.
À minha amiga Janaína por estar.
Aos lençóis por me abraçar.

Auf wiedersehen.

Proparoxítona

Antes de qualquer post mais profundo preciso dizer que tive sonhos estranhos esta noite.
Num deles sonhei que, ao sair com um cara pela segunda vez, estava usando a roupa que havia usado no primeiro encontro com o dito cujo e, pasmem, ele reparava que a roupa era a mesma e se ofendia. E eu, desesperada, me justificava dizendo que tinha engordado e que só aquela roupa cabia em mim.
O outro sonho foi mais estranho ainda. Eram 8 da manhã e eu assistia um jornal matinal qualquer, apresentado pela Ana Maria Braga e o Louro José e o jornal anunciava em tom de perigo: "o CONAR, juntamente com a Associação Brasileira de Redatores Publicitários entra em colapso nesta manhã. O fato é que o governo proibiu o uso de proparoxítonas nos textos publicitários".
Pronto, meus sonhos estranhos estão aí. Que se cuidem os redatores.

Auf Wiedersehen.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Quanto vale um tostão furado?

Um tostão furado num vale nada.
E vale tudo ao mesmo tempo.

Auf wiedersehen.

1000 perguntas

Mas essas são só algumas.

Por que eu acredito em tudo?
Por que eu acho que todo mundo é bonzinho?
Por que o mundo não é tão legal assim?
Por que eu sou humana se eu queria ser golfinho?
Por que eu não moro na minha terra?
Por que esse planeta não é minha terra?
Por que eu sinto mais do que todo mundo?
Por que eu penso demais?
Por que meu coração nunca está sereno?
Por que é comigo que os grandes amores acontecem?
Por que é comigo que esses amores não dão certo?
Por que eu gasto tanto dinheiro?
Por que eu tomo ovomaltine se eu acho tão doce?
Por que eu conheço pessoas estranhas?
Por que eu não acredito em deus?
Por que ele não me dá motivos para acreditar?
Por que eu acreditaria nele?
Por que as pessoas nos decepcionam?
Por que eu corro atrás?
Por que eu simplesmente não desisto?
Por que eu deveria insistir?
Por que meu carro vive quebrando?
Por que eu me acho gorda?
Por que o que eu quero é menos do que eu mereço?
Por que é que o que eu mereço é mais do que eu tenho?
Por que é que o que eu tenho é menos do que eu espero?
Por que é que o que eu espero é mais do que me dão?
Por que é que minha mãe não me avisou que tudo isso iria acontecer?


Auf wiedersehen.


Dia de horóscopo

Ria quem quiser, mas domingo é dia de eu e minha extraterrena tomarmos ovomaltine e lermos livros de horóscopo no chão da livraria Saraiva. Sempre muito esclarecedor. Quando aparece alguém importante na nossa vida vamos lá ler o que essa pessoa poderá nos causar ou nos trazer e, incrivelmente, sempre tem dado certo. E então ontem vimos alguns signos:
Libra e Aquário (os nossos signos, o meu e o dela), Virgem e Capricórnio. Tudo muito sério e tudo muito esclarecedor. De verdade. Então saímos de lá, com o copo do ovomaltine vazio e o coração também, por que vimos que esses signos não prestam para nós. Ou prestam né.

Mesmo assim recolhemos
este texto que agora quer
dizer muito para nós:

Gosto e preciso de ti.
Mas quero logo explicar.
Não gosto por que preciso.
Preciso sim, por gostar.

[Mário Lago]

Auf wiedersehen.

O Casamento

Por que é que em todos os casamentos existe sempre uma tia solteirona pagando de gostosa? Pois obviamente encontrei uma figura dessas num casamento. Ela vestia um vestido longo púrpura arrematado com sandálias prateadas cheias de pedraria de falsos cristais. Tudo muito chique. Os cabelos pelos ombros, tingidos de loiro, maquiagem pesada que não conseguia esconder as rugas dos seus cinquenta e tantos anos. Com uma taça de champanhe abraçada por mãos de unhas postiças, enormes, com esmalte vermelho da moda, a tiazona desfilava no salão com um sorriso imenso no rosto. Ao seu lado um jovem musculoso, com bronze de solário, cabelo platinado, espetadinho, cheio de cera e com um figurino modernoso afeminado, dança freneticamente, rebolando o quadril e olhando a loira cinquentona dos pés à cabeça, simulando um desejo por ela com expressões dignas de filme erótico francês. A figura disfarçada do garoto de programa. A tiazonha dança, enlouquecida de champanhe, jogando os cabelos para todos os lados, se sentindo a rainha de bateria daquela grande escola que se tornou o salão de festas. Como que desfilando na Sapucaí ela abre os braços para o alto e joga a cabeça para trás com profundo regozijo.


Auf wiedersehen

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Silvia, a ardilosa

Silvia, toda prosa, chegava ao bar com a saia curta, o cabelo preto solto pelas costas, o olhar inocente e a mente ardilosa. Sentava-se nos banquinhos altos, pegava uma bebida com muito gelo e esperava ansiosa. Ao som das melhores músicas Silvia dançava, depois se sentava. Atraía olhares por onde passava, jogava os cabelos com tamanha graciosidade como se eles também fossem um passo da sua dança. Não olhava para ninguém, deixava que olhassem para ela. Fazia por onde ser notada, quer fosse no pestanejar dos olhos, ou no balanço dos quadris ou até no modo como pegava o seu copo. Silvia era, ela toda, desejo. Escondia, por trás da maquiagem pesada, o dia de trabalho, o cansaço, o vazio e o medo. Silvia desfilava pelo salão suas longas pernas de garça em cujos pés se arrematava uns sapatos vermelhos de saltos muito altos. O salto era a postura, toda ela firme e segura, sem denunciar que a postura ereta e obtusa escondia uma certa candura. Silvia batia os olhos em alguém naquela noite. Qualquer alguém que fosse e, sem pensar, roubava mais um beijo. Mais um, mais dez, mais tantos outros sem qualquer graça, com toda a farsa e sem nenhum interesse. Silvia não queria uma história de amor, não queria um conto de fadas, não queria um príncipe encantado. Silvia não queria nada, queria apenas uma noite menos vazia que as habituais. Não queria telefonemas no dia seguinte, não queria cartas nem recados, não queria nem saber o nome. Mas acontecia o que Silvia nunca queria nem sonhava, no outro dia, mal acordava, já tinha mais um homem caído aos pés dos seus altíssimos saltos vermelhos. E todas as semanas era assim, quando Silvia soltava seus cabelos pelas costas, quando o seu corpo flutuava pela rua, Silvia se sentia mais despida, mais nua e roubava mais um beijo qualquer para se agasalhar. Um dia Silvia descalçou os sapatos, não saiu de casa, não colocou a pesada maquiagem, prendeu o seu cabelo um arranjo desregular no topo da cabeça, vestiu uma camisa velha que tinha de seu pai e dormiu. Dormiu por dias a fio, sem hora para acordar nem para comer, sem ter o que ver pela janela, sem telefones, sem ninguém. E quando acordou, Silvia encontrou ao seu lado, na cama, um corpo igual ao seu, com uns olhos expressivos, olhando para ela, ardilosos e vazios. Silvia pegou nesse corpo e o trancou no armário, junto com os sapatos vermelhos e engoliu as chaves para nunca mais abrir. Quanto ao corpo não se perdeu grande coisa, quanto aos sapatos vermelhos, Silvia decidiu comprar outros, mas desta vez azuis.


CRÉDITOS

Aos homens que são igual a Silvia e que as mulheres esperam que um dia também se tranquem num armário e engulam a chave.

Auf wiedersehen.

Recursos estilísticos - Uma forma didática de aprender

Para compreender o texto, consulte uma gramática.

Hipérbole é a bunda da Sheila Carvalho.
Oxímoro é a bunda da Mulher Melancia
Ironia é a bunda da Giselle Bünchen.
Metáfora é “dormir” com alguém.
Antítese é dormir quando deveria estar acordado.
Eufemismo é dizer que “seu menino” adormeceu,
Quando, na verdade, está morto e não tem quem ressuscite.
Hipocorismo é chamar seu órgão genital de bilauzinho.
Metonímia é pegar uma “loira”.
Sinédoque é beijar mil mortais gostosas.
Pleonasmo é dizer que Juliana Paes é BOA.
Anáfora é dizer que nem fode, nem sai de cima,
nem caga, nem desocupa a moita.
Antonomásia é ser uma amélia.
Anacoluto é quando você tem o feio
e o bonito lhe apetece.
Disfemismo é chamar Britney Spears de obesa.
Aliteração é você sempre se sentir a sensação do pedaço
e ver que isso não passa de um sonho insensato seu.
Personificação é dizer que a vida sorri pra gente.
Assídeto é sair segunda, terça, quarta, quinta e sexta.
Gradação crescente é tomar uma, duas, três, quatro, cinco cervejas.


Auf wiedersehen.

Os melhores textos não são felizes

Já quis escrever textos felizes, que fizessem as pessoas rir, mas o que tenho de palhaça na convivência, não o tenho na escrita. Isto por que só escrevo quando estou triste ou quando o assunto realmente se vê pertinente e inconvenientemente chato na minha cabeça. Contudo, sempre me pergunto: por que é tão difícil escrever textos felizes? E as perguntas continuam.

Mas de que valem os textos felizes? Os grandes textos, os grandes poemas e os grandes poetas não escreveram textos felizes. Os textos com aquele tempero de saudosismo e melancolia são aqueles que guardamos para sempre. Por que o ser humano tem um quê de derrotado e a derrota é tão mais vivida, mais sofrida e mais sentida que a alegria, que a vitória. O que seria da poesia sem a incerteza de Fernando Pessoa, sem a agonia profunda de Antero de Quental, sem o bucolismo de Alberto Caeiro? O que seria da prosa sem o desespero de Camilo Castelo Branco, sem o trágico e o infortúnio de Eça de Queiroz? O que seria o teatro sem o verbo rasgado e os conflitos humanos de Nelson Rodrigues? O que seria a arte sem Santa-Rita Pintor, Munch ou o desequilíbrio de Kokorska?
Seja qual for a narrativa, escrita, atuada, pintada ou esculpida, só é refinada, sublime, profunda, etérea e eterna, se for submersa nos maiores pesares do homem.



CRÉDITOS

A Fernando Pessoa e seus heterônimos.

A Antero de Quental e seu suicídio.
A Santa-Rita Pintor e seu suicídio.
A Mário de Sá Carneiro e seu suicídio.
A Camilo Castelo Branco e seu suicídio.
A todos os outros mestres da tristeza e do ócio.

Auf wiedersehen.



POST AUTOBIOGRÁFICO

Para quem quiser me conhecer mais.
Se quiser.

Eu pago as minhas contas.
Eu levo meu carro pro conserto.
Eu pinto minhas unhas.
Eu faço minha maquiagem.
Eu decoro minha casa.
Eu coloco água nas minhas plantas.
Eu encontro tempo onde não existe.
Eu invento tempo também.
Eu perco a memória a cada 5 segundos.
Eu perco as chaves e o celular a cada 3 dias.
Eu canto sozinha ou para a agencia ouvir.
Eu ando na chuva sem medo de molhar o cabelo.
Eu cuido das minhas irmãs.
Eu amo minha mãe.
Eu carrego um mundo que não é meu nas costas.
Eu também carrego uma culpa imensa.
Eu tenho costas doloridas todos os dias.
Eu não moro com os meus pais.
Eu não lavo o meu carro.
Eu sempre acordo mais cedo que o despertador.
Eu mordo a bochecha dormindo.
Eu tenho um travesseiro de hipopótamas bailarinas.
Eu digo não muitas vezes.
Eu digo sim mais do que gostaria.
Eu não dou sorrisos de graça.
Eu não sou um doce.
Eu sou muito pequena.
Eu sou enorme.
Eu falo muita besteira.
Eu leio muitos livros.
Eu desenho por horas a fio.
Eu telefono para a minha amiga.
Eu almoço na casa da minha avó.
Eu não gosto de ar-condicionado.
Eu trabalho de verdade.
Eu não sou bióloga marinha como eu sempre sonhei.
Eu me incomodo com barulho.
Eu não gosto de chuva.
Eu gosto de muito frio.
Eu preciso constantemente de chocolate.
Eu começo meu dia de inverno calçando sapatilhas
prateadas.


Auf wiedersehen

terça-feira, 10 de junho de 2008

Dando um jeito na vida

Este mês escolhi dar um jeito na vida. Por que um dia, todo mundo precisa dar um jeito na vida. Agora passo a citar a lista de coisas que preciso fazer, ou que já estou fazendo, para dar o tal jeito necessário:

O que preciso fazer

Arrumar o carro:
Trocar a correia dentada
Ajeitar o escape
Revitalizar a pintura
Trocar o forro das portas
Colar as peças que estão caindo
Lavar o carro
Calibrar os pneus
Comprar calotas novas.

O que já estou fazendo

Arrumar o quarto:
Comprar cortinas beges, não aguento mais as rosas
Comprar uma cama de casal, já tenho o colchão
Colocar um lindo tapete
Colocar as prateleiras na parede e encher de livros
Trocar a escrivaninha
Arrumar o quarto de mamãe para quando ela chegar.

Arrumar a sala:
Comprar plantas
Colocar uma rede na varanda
Buscar meus quadros e colocá-los na parede
Comprar mantas para o sofá
Colocar as almofadas baratinhas que encontrei na tok stock
Deixar tudo lindo para minha irmã e minha mãe.

O que está incompleto

Arrumar a vida:
Me inscrever numa academia
Fazer os trabalhos da faculdade
Fechar a boca para a balança
Fechar o coração para balanço.

Em julho eu tiro férias.

Auf wiedersehen

Sex and the City - o filme


Quatro mulheres que sempre se vestem bem: bolsas Prada e Louis Vuitton, perfumes Channel, sapatos Manolo Blahnik, ou Jimmy Choo, roupas Cavalera, de La Renta, Dior e uma incessante busca por algo que não tem marca: amor. Apesar do filme fugir ao bom humor original da série, ele trata perfeitamente do amor. Através de quatro histórias paralelas, o amor é descrito nas suas mais variadas formas e manifestações:
A felicidade plena, a traição e o perdão, o amor-próprio e a infidelidade e o abandono. Este último é o ponto crucial do filme. O homem que depois de anos de namoro decide se casar e, num estalo de covardia, abandona a noiva no altar. Falando numa escala menor, podemos perceber quantos amores são abandonados antes mesmo de começarem. Quantos homens abandonam amores e pessoas simplesmente pela falta de coragem de se envolver. Sem que percebam, justificam esse abandono das formas mais patéticas acreditando que a mulher, em sua pureza, vai acreditar nelas também. E muitas realmente acreditam, ou fingem que acreditam. Mas como mulher posso dizer que as mulheres pensam muito. E pensamos que os homens dão desculpas patéticas que não nos convencem por que simplesmente preferimos acreditar nessa versão do que na versão simplificada: quando eles não querem se envolver, não querem mesmo e não se envolvem e não dizem isso diretamente por que para eles parece óbvio, mas para nós, que lemos as entrelinhas e que inventamos muitas delas, o não quer dizer sempre um talvez, tenho medo ou não sei. A eles não falta coragem para assumir um relacionamento, falta vontade. A nós falta coragem para aceitar isso.


CRÉDITOS

A Samantha Jones, Charlotte, Miranda e Carrie Bradshaw por tratarem do amor como mulheres.

domingo, 1 de junho de 2008

Peixes dentro de um aquário bem apertado

Não há coisa mais interessante que observar pessoas.

Elas estavam encostadas ao bar. Cabelos lisos, escovados no cabeleireiro, unhas vermelhas, peles macias, rostos porcelanados pelo pó-de-arroz, olhos marcados pelo kajal, lábios brilhantes feito cerejas, roupas pretas, para emagrecer, saltos muito altos e o mesmo olhar vazio de todas as outras bonecas de porcelana que se acomodavam à sua volta. O cabelos tingidos de loiro, as costas eretas para exibir o busto, o olhar incessantemente sensual, como se sofressem de um eterno apetite sexual. Elas não sorriem, movimentam os lábios na horizontal, não abrem a boca nem mostram os dentes, são comedidas, não por timidez, mas por falta de expressão. Olham para o recinto apertado e escuro. Percebem cada olhar masculino sobre suas curvas e retribuem o olhar com um outro, de esgelha e conseguem até fingir o rubor das bochechas, mas é blush.
Elas permanecem encostadas toda a noite no bar, conseguem bebidas de graça soltando gracinhas para os garçons, não dançam, se embriagam e permanecem com suas poses de divas mesmo quando os calos dos seus sapatos não as deixam mais ficar em pé. São todas assim e todas, quase que ao mesmo tempo, olham para o outro lado do bar. Alguma coisa chamou atenção e não foram os machos. Duas mulheres pequenas. Duas mulheres que parecem meninas, perdidas naquele lugar. Elas cantam todas as músicas, sabem todas as letras, as que não sabem inventam. O canudinho serve de microfone para aquele furor. Duas meninas que se destacam por serem muito felizes. A felicidade delas incomodava e destoava do recinto. Os homens também começam a estranhar, mas a estranheza logo se transforma em perplexidade e interesse. As bonecas de porcelana substituem os olhares vorazes por um questionamento: o que as faz serem tão felizes? de que tanto riem? por que não se preocupam em fazer caretas e rir alto demais? por que não se incomodam com os cabelos à chuva? Por que tiram os sapatos quando os calos doem? E não encontram resposta. Essas duas pessoas pararam o lugar escuro e apertado. Mesmo minúsculas eram peixes grandes demais para aquele aquário, eram peixes de mar, não de criatório. Eram peixes que sabiam sorrir com a boca e com os olhos e com todo o corpo, peixes que não precisavam de motivos para sorrir. As duas pessoas peculiares desta história não faziam gracinhas para o garçon para ganhar bebidas, mas para pedir os morangos vermelhos que eles colocariam nos drinks, e saltavam e vibravam com as músicas como se fossem crianças.

CRÉDITOS

A nós, Janaína, os peixinhos desta história.
Às outras mulheres que também são peixes de mar.

Não sei

A melhor expressão que já foi inventada no mundo é o "não sei".

-Você quer ir ao cinema? Não sei.
-Quer ir viajar? Não sei.
-Que tal comermos um crepe? Não sei.
- Você quer o quê? Não sei.

Não sei é ótimo. Não damos uma resposta concreta, não aceitamos nem abandonamos qualquer possibilidade e podemos sempre mudar de idéia por que "não sei" significa claramente "não me comprometi a isso". É assim que a minha vida tem funcionado ultimamente. Nem sim, nem não, simplesmente não sei. E aí faço tudo, viajo, como crepes vou ao cinema, ou não faço nada, mas qualquer coisa que eu decida fazer, decidi por que tive o tempo e a falta de comprometimento que o "não sei" me permitiu. A única coisa chata, muito chata, é a indefinição. Tem os que usam o "não sei" com parcimônia e sabedoria para preponderar e os que usam por que simplesmente não têm coragem de dizer NÃO. E aí quem está do outro lado que espere.

Experimente você também o "não sei", mas ao contrário da camisinha não use sempre, use com moderação.

CRÉDITOS

Aos meus amigos que não sei quando vou ver, mas que quero vê-los sempre.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

JUNG: Novos arquétipos para você se atualizar!

Trabalho de psicologia. Tive que pesquisar, ler e observar bastante os seres humanos para fazer uma contextualização do meu trabalho que teve uma abordagem na psicologia analítica do saudoso JUNG. Na verdade o tema aprofundado foi sobre o ‘AMOR ROMÂNTICO”, mas isso será comentado com mais emoção em um outro post.
Inconsciente coletivo, arquétipos, persona, anima, animus... Ufa. Usei as lentes de Jung e depois que apresentei o trabalho começei a enxergar tudo com mais clareza, observei tanto que descobri novos arquétipos então achei que deveria dividir essa experiência com vocês.
Não são todos, mas estes a seguir são alguns dos que observei em nossa atualidade ocidental.
ATENÇÂO:Qualquer semelhança com vocês na descrição destes arquétipos poderão ser mera coincidência

*BAD KID PAMONHA – É aquele cara que é aparentemente um “bad boy”, fala grosso, É grosso, brigão, machista mas consegue mudar completamente para a versão pamonha quando se apaixona por uma bonitinha, mas ordinária. Esse tipo se sujeita a coisas inacreditáveis, inclusive ser traído, tudo para ter ao lado uma mulher que ele considera irresistível, sendo assim, precisa dela para carrega-la como seu troféu.

*BONITINHA, MAS ORDINÁRIA –Fútil, vazia e interesseira. É aquele tipo que usa de sua beleza e oportunismo para conseguir tudo o que quer das pessoas ao seu redor. Seja de amigos, família, namorados ricos,( preferencialmente os bad kid pamonhão) e até mesmo desconhecidos que não resistem a um lindo rostinho e não dão a mínima mesmo para o tal do caráter.

*PRATO DE PAPA- Esses são aqueles que julgam, criticam, falam bonito e dão conselhos de como as coisas deveriam ser (teoricamente), mas basta a tal coisa acontecer com eles na prática que eles são os primeiros a contrariar todos os seus princípios e além de não fazerem o que dizem, acabam mesmo é não fazendo “NADA”.

*PROBLEMÁTICO BEM RESOLVIDO – É o tipico cara que se diz bem resolvido amorosamente (especialmente quando se trata do seu último relacionamento), que diz ter superado todos os traumas, a separação e a falta daquela pessoa que não correspondeu as suas expectativas, mas basta que seu atual relacionamento dê pequenos sinais de semelhança com o anterior para que ele pire o cabeção e resolva se afastar, alegando o motivo mais idiota possível.

SOBRENOME SEM SAL – São aquelas mulheres discretas,certinhas, fresquinhas, apagadinhas, muito, mais muito parecidas com a mãe de todos os homens e que por esse motivo despertam neles a vontade de voltar para o útero aconchegante, mas não sendo possível voltar para o útero, eles se contentam com o colo,o ombro e outras partes dessas pessoas que mesmo ‘sem sal’ possuem um sobrenome.

*PROSTITUTO – Sim, agora existe uma versão masculina com algumas diferenciações da tradicional. Ele não cobra pela noite, ele é quem paga o motel, ele não usa as mulheres porque na verdade é usado por elas e é justamente em ser homem objeto que consiste o seu maior prazer. O grande problema é que ele não tem o mínimo critério na escolha de suas parceiras ( ou melhor, na hora de ser escolhido ).

OBS: Muito preocupada com minhas colegas terráqueas, resolvi apenas para esse tipo, abrir uma exceção de meus dons psicológicos que foram externizados pelas lentes do brother JUNG:
BULA PARA O PROSTITUTO:
NOME CIÊNTÍFICO: Homem Objeto

INDICAÇÕES:
Ele é ótimo para ser usado em vingança de casais em conflito, provocar ciúme em pretendentes, para adquirir status, para momentos de carência total e também indicado para quando você não tá afim de fazer doce para “uma noite e nada mais”. Não precisa contar toda a sua vida ou esperar que ele te ligue marcando um primeiro encontro, beije-o primeiro e depois pergunte seu nome. (Ou não pergunte... ahh.. )

CONTRA-INDICAÇÕES:
Para você mulher que se apaixona com muita facilidade, romantiza as situações, é muito frágil, sensível e sempre espera que ele ligue no dia seguinte, saiba que este tipo não tem nada a oferecer além de seu corpinho lindo e apenas por um tempo curtíssimo. Dificilmente ele irá repetir essa experiência com você, até porque ele adora colecionar figurinhas (no caso calçinhas..) então terá que variar bastante para completar seu albúm de inúmeras páginas.

PRECAUÇÕES:
Não se apaixone. E use camisinha.


EXTRA-TERRENAS: São mulheres exceções que se diferenciam no meio a tantas terráqueas, e que, por NÃO serem terráqueas, confundem tanto a cabeçinha dos terráqueos ocidentais da atualidade. Elas sentem uma enorme dificuldade em se comunicar com as pessoas de seu convívio, em especial com os do sexo oposto que não conseguem compreender de onde saíram pessoas tão “diferentes”e ao mesmo tempo especiais. São bonitas, inteligentes, independentes, engraçadas, perspicazes, criativas (algumas trabalham com publicidade ), enfim, são REAIS, mas tanta excêntricidade provavelmente deve assustar alguns tipinhos que devem pensar na famosa frase:“É muito bom pra ser verdade!”e quando isso acontece com os descrentes, eles se afastam, e com os que acreditam parcialmente ou totalmente acaba sendo muito difícil ter ao lado uma pessoa tão EXTRAordinária, logo eles se afastam do mesmo jeito...
CONSELHO: Não quebrem a cabeça tentando entende-las ou decifra-las, apenas aprendam a apreciar a convivência e a ótima influência. Elas conseguem entender muito bem vocês, acho que isso basta.

JUNG: Posso ficar com seu óculos?

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Contexto

O suor escorre pelo rosto,
Os olhos apertam,
Os corpos estão frenéticos
e ofegantes.

- vai, vai, vai…
- uhhhhhhh
- safado!
- vai com tudo, vai com tudo…
- atrás, atrás!
- olha a mãoooo, não bota a mãooo…
- uhhhhhhhhh
-ahhhhhhh
- meu deussss…
- animal ! Seu animal!
-seguuuraaaa…
- uhhhhhhh
- vai, vai, avança..
- continuaaaa…
- aaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhh

e é golllllllll !!! É do Brasil sil sil sil…

Partida de futebol é assim mesmo,
sem o contexto o texto é muito gozado.


CRÉDITOS

A Galvão Bueno que narra o desfecho deste clímax.

Bureau de Criação - Pequenas Crônicas - Parte II

Só para situar os leitores, Cássio é um publicitário e Ricardo um advogado. Cássio e Ricardo como sempre, dividem o quarto e o beliche. Cássio na cama de cima, Ricardo na cama de baixo. São irmãos, vivem debaixo da saia da mãe. Ricardo é advogado de porta de cadeia e Cássio tem um bureau de criação composto de duas pessoas o que, na prática, significa que ele tem um dupla com cadastro de pessoa jurídica. O bureau de criação de Cássio, na prática, também não é muita coisa. Ele atende o telefone dizendo:

- “Bureau de Criação, bom dia”

quando na verdade ele está atendendo o telefone de casa mesmo. Dona Zita, mãe de Cássio, quando atende o telefone faz as vezes de uma suposta secretária, para dar mais pompa e credibilidade ao bureau. Seu Carlos, o pai, desempenha o papel de gerente administrativo e Ricardo simplesmente não atende o telefone.
A tática de Cássio, para dar mais glamour ao seu bureau e os clientes jurarem que eles são realmente muito ocupados, é deixar o telefone de casa fora do gancho e o celular desligado ou fora da área de corbertura.

- “ Ah seu Natércio, me desculpe, realmente estavamos em reunião por telefone com um cliente importantíssimo e meu sócio está em São Paulo. O senhor sabe né, com aquela fumaça fica difícil um celular pegar lá, é muita interferência.”

Outra técnica incrível que Cássio aplica é abusar da personalização no atendimento do cliente, quando na verdade ele o faz por não ter nenhuma estrutura para receber esse cliente. Um quarto com um beliche não é glamuroso.

- “Bom dia Zita, por favor ligue para o senhor Natércio e diga a ele que assim que pudermos marcar uma reunião, faço questão de ir onde ele estiver. Assim que ele responder, a senhora por favor transfira a ligação pro meu ramal.”

- Meu filho, venha tomar seu café da manhã e pare de ocupar a linha do telefone falando besteira.



CRÉDITOS

Aos bureaus de criação construídos na sala da casa da mãe.
Às duplas de criação.
Às Donas Zitas que devem existir aos montes.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Gabriela, a caridosa, Ritinha a perigosa


Enquanto acendia um cigarro Gabriela assistia, quase sem piscar, o rumo que tomava a sua vida. Sempre passiva, quase vagarosa, Gabriela simplesmente não reagia às desditas de Ritinha, sua irmã mais nova. Ritinha sugava tudo o que havia em Gabriela. Sugava o sossego, o tempo, a paz e o dinheiro. Gabriela sempre cedia sem porfia.
Um dia Ritinha roubou de Gabriela o namorado, Antônio Carlos. No outro dia roubou as amigas, Marta e Luzia. No outro o cãozinho Pantopaz. Na outra semana, Ritinha imperdoável, roubou as roupas de Gabriela, e todos os seus sapatos, bolsas, batons e presilhas. E a tudo Gabriela assistia, quase sem piscar e sem porfia, o rumo que tomava a sua vida. Ritinha roubou os discos de vinil, as almofadas, cartas e fotografias do quarto. E Gabriela continuava fumando seus cigarros. Ritinha roubou os incensos, os bonecos de pelúcia, os bibelôs e os cortinados. Ao que Gariela respondia com a inerte fumaça do tabaco.

Um dia, porém, Ritinha cansou de roubar e, pela primeira vez, fez um pedido a Gabriela:


- Gabriela, dá-me um cigarro.


E Gabriela deu. Deu o cigarro, o isqueiro e os pulmões. Quanta caridade.




Auf wiedersehen.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Dona dos Vícios Parte II

Eu tenho mania de pintar as unhas
mania de dizer que alguém se parece com alguém
buscar fisionomias semelhantes
beber ice-tea de pêssego
comer toneladas de salada
mania de ir na contra-mão do mundo
mania de chamar as pessoas de xuxu
mania de fotografia
mania de falar com os cães como se me entendessem
mania de não usar azul (tema para um próximo post)
mania de cremes hidratantes
mania de ouvir muito pouca música
mania de dançar mesmo sem música
mania de ser teimosa
mania de ser seletiva
mania de ser complicada
mania de não saber fazer contas
mania de perder as coisas e de ser totalmente atrapalhada
mania de esquecer de tudo e no final tudo dar certo
mania de falar palavrão
mania de me apegar fácil
de adorar fácil
mania de me sentir a dona de todos os vícios
e de poucas virtudes
mania de adorar esse excesso de defeitos
mania de escrever.

e você, qual a sua mania?

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Wish List (Pearl Jam)

I wish I was a neutron bomb, for once I could go off.
I wish I was a sacrifice but somehow still lived on.
I wish I was a sentimental ornament you hung on
The christmas tree, I wish I was the star that went on top,
I wish I was the evidence
I wish I was the grounds for fifty million hands up raised and opened toward the sky.

I wish I was a sailor with someone who waited for me.
I wish I was as fortunate, as fortunate as me.
I wish I was a messenger, and all the news is good.
I wish I was the full moon shining off your camaro's hood.

I wish I was an alien, at home behind the sun,
I wish I was the souvenir you kept your house key on.
I wish I was the pedal break that you depended on.
I wish I was the verb to trust, and never let you down.

I wish I was the radio song, the one that you turned up,
I wish, I wish, I wish, I wish,
I guess it never stops.


CRÉDITOS

A Eddie Vedder.

Folhas secas

Folhas secas
flutuam
em algum lugar lá fora.
o frio das finas mãos
flutuam
nos teus flancos.
é fácil deixar pra sempre
a vida lá fora.
é mais difícil ainda ficar
pra sempre nesse conto
de fadas.
das folhas aos flancos
são distantes os caminhos
e esses sempre intocáveis.
o meu caminho são os flancos,
aqui dentro.
o teu são as folhas,
lá fora.


CRÉDITOS

Aos flancos,
Às folhas,
À minha irmã Aimara que ama poemas.

Dona dos Vícios

Um dos meus vícios é escrever.

As borboletas se foram. Deram lugar ao vazio. Ainda bem que foi cedo e foi logo por que acabam-se as expectativas. Quando dois mundos se chocam de tal modo que o atrito os impede de algum dia conviverem em paz é essa a hora de desviar a rota, de evitar o impacto. Ainda assim é ruim a sensação de se ver fora da órbita na qual estamos traçando um caminho. Se ver impossibilitada, por uma força maior, muito maior, esmagadoramente maior é, no mínimo, uma constatação de fraqueza e no máximo uma grande perda. Hoje só falo por parábolas, que entenda quem quiser. Hoje e sempre serei a dona de todos os vícios e todos os pecados, menos o pecado de trair a mim mesma.

CRÉDITOS

Aos que compreendem parábolas.


Auf wiedersehen

quinta-feira, 15 de maio de 2008

A estrela do nosso pulso

Eu tenho uma estrela no pulso. E minha irmã mais nova, Aimara, também. Fizemos para selar de vez nossa condição de irmãs. Hoje recebo dela este email, que me fez cair em lágrimas em plena agência, que me fez perceber que as melhores surpresas e os melhores presentes podem vir nas palavras de um email aparentemente banal:

"Hoje olhei para a minha estrela, e, pela primeira vez em sei lá quanto tempo, lembrei-me do por que de ela estar aqui.

Daqui a 5 meses voltaremos a fazer batidos e a bebê-los à beirinha da piscina, voltaremos a ficar horas a falar daquelas coisas que só nós três compreendemos umas nas outras, voltaremos a ser o trio fantástico, as charlie's angels de um metro e meio, voltaremos a ser tudo aquilo que somos quando estamos juntas, e que é impossível de ser quando falta uma." (Aimara)

Nunca, na minha vida, recebi um email tão lindo.

CRÉDITOS

À minha irmã Aimara, pelas palavras, pelo amor, cumplicidade, simplicidade, companheirismo, ternura, dedicação e por ter tatuado a minha estrela no seu braço. Por tudo, te amo.
À minha mãe por sempre ser o elo que nos une.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Posts

Desculpem pela quantidade incrível de posts atrasados.

Jesus das Parábolas, Janaína das Metáforas

Este post não tem nada a ver com Jesus. Desculpem se desapontei. “Não se usa o nome dele em vão”, podem dizer alguns. Mas não é em vão, é em nome da minha mais-que-tudo amiga e para ela eu uso o que eu quiser e usei só como ritmo para o meu título.
Tudo começou domingo, no Mc Donald’s, depois de passarmos o dia gastando o que não tinhamos no shopping. Janaína é como eu: come o sanduíche em círculos de forma que o meio do sanduíche fique por último, intacto, pronto para ser a última e mais recheada mordida. E eis que Jana pára, entre uma dentada e outra, e começa a olhar para sei lá onde. Na hora não percebi, continuei a falar sbrubles e ela continuou absorta em seus pensamentos. E de repente Janaína a extra-terrena filósofa, através de uma metáfora incrível sobre a vida, na perspectiva de quem come um sanduíche como nós, sai com esta máxima:

“ Comece pelo fim, ou até pelo começo, mas deixe o meio para o fim, por que o meio é a melhor parte.”

Agora abstraiam que isto tudo é um sanduíche e apliquem ao amor. Quem quiser que compreenda. Eu fiz a minha parte: compreendi.


CRÉDITOS

A Janaína, por comer sanduíches igual a mim,
Aos redatores que escrevem smiles em vez de palavras,
Ao Mc Donald’s pelo Duble Cheese.

Cortinas


Tem dias no ano, mas só alguns dias, em que qualquer pessoa pode acordar com qualquer compulsão. Não precisa ser apenas uma, podem ser várias no mesmo dia, que vão se desencadeando e tomando a vez da anterior quando esta é cumprida. Comigo foi assim ontem.

COMPULSÃO POR CORTINAS

Acordei com uma vontade inadiável de colocar cortinas no quarto. Tenho duas janelas no quarto através das quais Boa Viagem inteira pode me ver. São realmente janelas indiscretas. Uma dá para um prédio inteiro, a outra dá para duas varandas do prédio vizinho. Começo o dia realmente incomodada por ver a vida dos outros tão de perto e por ter a minha vida vista. Preciso comprar cortinas. Dia de ir ao shopping com a amiga, comprar as benditas cortinas, custe o que custar.

COMPULSÃO POR CONTAS

Ah sim, além das cortinas tenho de aproveitar o dia para pagar todas as contas que só posso pagar no shopping. Contas que dizem respeito a outro dia em que surgiram compulsões por roupas. Na verdade a compulsão começou pela minha mais-que-tudo redatora que precisava comprar roupas: ela não levou nada e eu comprei três peças. A outra compra, cuja conta eu tinha de pagar também, foi uma compulsão por calças, mas disso eu precisava.

COMPULSÃO POR SAPATOS

Sim eu sofro disso. Por mais que tenha sapatos de todas as cores, simplesmente nunca acho suficiente o que tenho. Por mais que eu tenha também apenas dois pés, eu pareço ter exatamente: 60. Sim, 30 pares de sapato por que já dei uns 10 pares só este ano. Então hoje foram 3 pares. Ainda bem que estavam em promoção por que por mais que eu tenha 60 pés, eles estão todos no chão.
Um scarpin rosa da barbie. Uma sapatilha prateada exatamente igual a uma que comprei no ano passado, na mesma loja e que eu, de tanto usar, já tinha desintegrado. Uma outra sapatilha azul ultra-mar. Adoro sapatos coloridos.

COMPULSÃO POR CORTINAS

A última coisa que fui procurar na shopping foi justamente a coisa que me levou ao shopping: as cortinhas. Jurandir Pires, não tinha cortinas largas, só compridas.
Não tinha o tubo ajustável à janela que eu tanto precisava para colocar a cortina sem precisar de furar paredes. Destino: Tok Stok. Encontrei os tubos, R$ 19,90 cada. Uma pechincha.

COMPULSÃO POR CHOCOLATE

Eu precisava comprar uma caixinha de chocolates que prometi a alguém. Mas não podia ser qualquer chocolate, então escolhi um que eu adoro: simples, ao leite, mas da Cia. do Cacau. Podia ter sido o meu preferido, Ferrero Rocher, mas isso fica para depois.

COMPULSÃO POR MC DONALD’S

Só tinha R$ 10,00 na carteira.
-Uma Mc Oferta Duble Cheese, com verdura e a bebida é coca-cola, por favor.
A outra extraterrena pediu uma Mc Oferta Cheddar.
Fomos nos entupir de porcaria e filosofar. A filosofia é tema para o próximo post.

COMPULSÃO POR PROJETO DE PESQUISA

Sim, precisava de um livro sobre ilustração publicitária, precisava mais que nunca desenvolver meu pré-projeto de pesquisa em cima disso, mas não há, na bibliografia da Livraria Saraiva, sequer da Livraria Cultura, alguma obra que aborde esse tema. Meu sonho é escrever um livro, mas não para hoje. Decidi mudar o tema do pré-projeto. Não quero ser eu, com meus parcos conhecimentos, a inaugurar uma obra do gênero.

COMPULSÃO POR CORTINAS

Pensaram que tinha acabado? Não. Não encontrei as cortinas no shopping, mas como acordei, desenvolvi mil compulsões e não resolvi justamente a que mais me incomodava, decidi que era hora de pôr as mãos na massa. Fui para casa da minha avó, peguei em dois pedaços de pano e fiz as cortinas. Eu fiz as cortinas.
Rosa barbie, para combinar com os sapatos.

CRÉDITOS

À minha melhor amiga e extraterrena, por passar 6 horas comigo no shopping,
À Tok Stok por ter os varões de cortina que eu tanto queria.

Auf wiedersehen.

Sei mais

Sei mais de música que de publicidade,
Sei mais de arte que de publicidade,
Sei mais de filmes que de publicidade,
Sei mais de amor que de publicidade,
Sei mais de II Guerra Mundial que de publicidade
Sei mais de cores que de publicidade,
Sei mais de biologia marinha que de publicidade,
Sei mais de carinho que de publicidade,
Sei mais de literatura que de publicidade,
Sei mais de gramática que de publicidade,
Sei mais de nutrição que de publicidade,
Sei mais de maquiagem que de publicidade,
Sei mais de Portugal que de publicidade,
Mas sei mais de publicidade do que sei de borboletas.

CRÉDITOS

Aos publicitários que não conheço,
Às peças que não conheço,
Às agências que não conheço,
A toda a minha ignorância que não conheço.

Auf wiedersehen.

Bola de Neve

Qualquer fenômeno, de qualquer espécie, que aconteça a qualquer pessoa, em qualquer lugar, dia ou hora, pode se transformar numa situação fora de controle, uma bola de neve em que nos envolvemos, que não conseguimos sair, mas que em alguma hora vai arrebentar. Invariavelmente somos tomados por uma energia qualquer que nos empurra contra um precipício e a isso assistimos na maior passividade ou, no pior dos casos, contribuimos para o empurrão final. E o que fazer numa situação como esta? Nos deixamos levar ao precipício rezando para que não seja tão alto? Usamos uma força motriz contrária para causar atrito e impedir a queda? Ou nos deixamos assistir a tudo, ficando a cargo dos outros aquilo que poderíamos evitar com as próprias mãos? E se cairmos e a queda valer a pena?
Pretendo me anestesiar a tempo de me esquivar do tal precipício. Por que uns são rasos, mas outros não têm volta. E a bola de neve? Essa já está imensa, gorda, pesada. Rolando escadas abaixo, esperando para atropelar as borboletas que estavam passando, ainda agora, por aqui.

CRÉDITOS

Às borboletas que tanto vêm como vão.

Auf wiedersehen.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Jana X falta de tempo

É. Quase uma turista no meu próprio mundo.
Eu queria dizer que eu queria tanta coisa...
Eu queria acompanha o "Tô sem tempo" do último post, porque na verdade tudo que eu queria depende de tempo pra conseguir.
Queria poder postar diariamente aqui, e eu realmente tenho muitas coisas para dizer todos os dias mas infelizmente não dá porque passo pouco tempo na minha casa terráquea, praticamente
só chego nela para dormir as menos de 5 horas de sono que eu ainda consigo ter, e na minha obrigação cotidiana (trabalho) eu nao tenho acesso a internet, logo não posso postar NADA enquanto estou por lá as 8 horas que preciso ficar (só teoricamente. Porque geralmente elas se estendem por mais 1 ou 2 horas..)
Quando chego em casa vou pra academia. É, voltei a malhar...Tô me esforçando para não perder a motivação dessa vez. Depois vou para faculdade. Chego da aula as 22:40, tomo banho ou só troco de roupa quando não durmo no sofá e no dia seguinte, as 04:50 meu dia recomeça exatamente igual.. Igual, igual, igual.
As vezes me irrita o ritual diário e igual de todos os dias e eu tento mudar a forma de escovar os dentes ou mesmo a calçada que ando até chegar ao "trabalho" só pra me sentir um pouco diferente. ( já não funciona).
Depois de muitas tentativas eu resolvi a trocar de roupa.
De uns tempos para cá eu mudei a forma de me vestir. Vesti roupas que nunca usei antes, cores que nem gostava, mas isso era importante para que eu me sentisse "diferente".
E foi. Foram dias atipicos esses... Eu fui realmente diferente para mim e para todos que me conhecem de verdade. A mudança ocorreu de fora pra dentro também. Eu me olhei no espelho e ele me disse:
Isso não combina com você. Isso não é "você".
Mas eu insisti na experiência nova. E foi válida, sempre é..
Depois que passou essa sede de mudança, eu voltei ao espelho e de repente tudo aquilo deixou de fazer sentido. Eu tirei aquelas roupas estranhas, coloquei as minhas e percebi o valor da harmonia do estilo e das cores que estavam ali naquela imagem no espelho.
Eu sorri pra ele, ele sorriu pra mim e eu percebi como é importante viver outras experiências, sair um pouco de você para se conhecer melhor e reconhecer o verdadeiro valor em ser "único".
Na minha matemática (que definitivamente não é a mesma dos terráqueos) 2+2 não é = 4, então para mim as coisas funcionam assim:
Ser diferente = ser igual
pq
Ser igual= ser singular
E
Ser singular= ser VOCÊ
Ser você= Não dá pra descrever como é ser assim. Mas tenho certeza que ser feliz está dentro disso ai.
______________
Tetéia: Desculpa a ausência. Não quis te deixar só. O que me tranquiliza é saber que alguém faz por mim diariamente todas as ligações que EU deveria fazer para saber se você está bem. UFA...
ainda bem que você está segura. Bjo , XUXU.

Adobe, a febre


Eu sei, eu sei. O mundo está tomado pela Adobe. Adobe Photoshop, Adobe Illustrator, Adobe Indesign. Fora o Freehand que agora é da Adobe, fora o Flash, Dreamweaver e Fireworks, que são Adobe também. É o monopólio da cultura digital. E o Coreldraw? Ok, designers de plantão, podem descer o sarrafo em mim. "Como assim o Corel? Pirou menina? Isso é coisa do passado! Como uma diretora de arte vem falar em Corel?"Ok. Crucifiquem. Mas as coisas não são bem assim. Por mais que o mundo esteja dominado pela Adobe, temos que dar o crédito ao Corel.

Eu sei que o Corel era um programa feito para leigos brincarem de vetorizar e o mundo acabou transformando num programa com intuito profissional. Também sei que o Illustrator era um programa profissional que os leigos começaram a usar para brincar e que o Illustrator consegue comunicar com todos os outros programas da Adobe (que domina o mundo). Contudo, diga-se de passagem, quer seja para brincar ou para trabalhar, o Illustrator complica nossa vida. Eu ainda sei que o Illustrator era para ser uma junção mais ou menos funcional do photoshop com um programa próprio para vetor. Enfim, foi mal construído então. Apesar disso, o mundo está tomado por um febre de Adobe. Ninguém em sã consciência diz que Illustrator não presta, e não diz mesmo. Vivemos todo numa ferveção, com a temperatura gráfica elevada e ninguém consegue ver nem mesmo o defeito mais óbvio.

E todo este texto é só para dizer o quanto o Corel, apesar dos seus defeitos, é o programa mais fácil para ilustradores (minha opinião). As ferramentas são mais simples, são precisos menos passos para fazer qualquer coisa, apenas os objetos selecionados podem ser exportados, editar, mover, retirar ou acrescentar nós é menos complicado, fazer interseções também, abrir várias páginas num mesmo arquivo é possível, os atalhos são menos complexos, fazer transparências, gradiente e aplicar texturas é fácil demais, fazer powerclip, distorcer o texto, criar espirais e manipular sombras é mais fácil ainda. Mas o que realmente faz falta ao Corel é o Lens Flare do Illustrator. Sim, aquele reflexo de sol de máquina fotográfica. Se não entenderam o meu texto, podem procurar alguns tutoriais.


CRÉDITOS

À Adobe pelo Lens Flare,
Ao Photoshop pelos pincéis,
Ao Corel, por facilitar minha vida de ilustradora.

Obs.: Quem quiser pode me dar uma descompostura. Mas só se for ilustrador.
Pink e Brain (traduzindo: Pinky e Cérebro) estão por trás desta dominação do mundo. Com toda a certeza.

Auf wiedersehen.